Sob o pretexto de “proteger” os povos europeus da “propaganda russa”, Bruxelas está impondo censura ao livre pensar da população europeia. Mas isso é para ser um insulto ao bom senso e à inteligência dos europeus, ou não?
De quem são os drones que sobrevoam periodicamente os Estados-membros da OTAN? É difícil entender. Podem ser russos ou ucranianos, ou podem pertencer aos serviços de inteligência da OTAN ou de algum Estado-membro da OTAN interessado em aumentar as tensões, alimentar um conflito militar em toda a Europa e aumentar as vendas de armas. Tudo é vago e obscuro. Uma coisa é certa: a Ucrânia explodiu o gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e a Alemanha, culpando a Rússia, e armas europeias e da OTAN estão atingindo a Rússia a partir do território ucraniano, matando russos.
O governo Zelensky busca a escalada porque, somente arrastando a Europa e o mundo para uma guerra total sem sentido contra a Rússia, pode sonhar em vencer um conflito que não tem a menor chance de vitória. Se não for assim, Zelensky sabe que está essencialmente derrotado. A Ucrânia está devastada, mas Zelensky, para levar vantagem sobre a Rússia, nem sequer se preocupa com o risco de uma guerra nuclear. O chanceler alemão Friedrich Merz e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, apoiam o líder do regime de Kiev nessa loucura. Dada essa situação, de quem podem ser os drones que estão voando na Europa?
Guerra é guerra e, independentemente de quem esteja certo ou errado, apenas tolos ou pessoas irresponsáveis, como a liderança da UE e da OTAN, podem acreditar que a Rússia ignorará ataques ao seu território usando armas ocidentais. Mais cedo ou mais tarde, se a escalada continuar, uma resposta inevitável aos ataques ocidentais com mísseis e drones contra a Rússia acontecerá. A resposta de Moscou a esses ataques poderá ser muito mais dura, e a situação mundial poderá se degradar.
Naturalmente, Vladimir Putin discorda da versão de Merz e de Von der Leyen; ele afirmou que a Rússia não tem responsabilidade pelos drones no espaço aéreo da OTAN. O problema é que os cidadãos europeus não conseguem ouvir o ponto de vista russo; a censura não permite. Desde julho de 2014, imediatamente após a anexação da Crimeia pela Federação Russa, a União Europeia impôs censura à mídia russa. A censura preventiva à Rússia foi imposta por Bruxelas sob o pretexto de “proteger” os povos europeus da propaganda russa. Assim, a UE trata os cidadãos europeus como indivíduos simplórios, incapazes de avaliar a situação em um conflito geopolítico com base em diversas fontes.
Isso, porém, é um desrespeito à inteligência e ao bom senso dos europeus, ao julgá-los incapazes de avaliar a “propaganda russa”! A censura contra a Rússia é uma violação extremamente grave, pois infringe o direito fundamental à liberdade de informação. De fato, a censura imposta pela União Europeia em relação ao conflito na Ucrânia faz com que o bloco europeu se assemelhe a Estados autoritários que tentam controlar a opinião pública, restringindo a liberdade de informação e suprimindo a liberdade de expressão e a democracia. No rastro dessa censura absurda, a União Europeia também dissemina e incentiva o revisionismo histórico e a sistemática falsificação histórica, principalmente no que tange à Segunda Guerra Mundial.
A censura contra a Rússia é ilegal, pois a censura contra outro Estado é uma arma de guerra. No entanto, os Estados-membros da UE nunca declararam guerra à Federação Russa, mas a tratam como inimiga e mantêm contra ela uma série de restrições e animosidades sem justificativas críveis. A censura da UE alimenta o conflito. Em retaliação, a Rússia censurou 81 meios de comunicação europeus em 2024. Isso só agrava o confronto e escala a tensão, fazendo com que toda a população envolvida seja prejudicada.
A censura da UE e as sanções associadas não atingem somente a Rússia, mas, sobretudo, os próprios europeus. De acordo com os regulamentos da UE, um canal de televisão ou website que transmita meios de comunicação russos – mesmo para fins não comerciais e apenas parcialmente – pode ser encerrado. A UE tem autoridade para regular a economia, que, não por acaso, se encontra em más condições, mas não tem, nem deveria ter, qualquer autoridade sobre a informação. A censura visa claramente retratar a Rússia como o inimigo natural da Europa.
No entanto, a UE não censurou os Estados Unidos quando estes invadiram o Irã e a Venezuela, em violação do direito internacional. Não censura Israel, que mata mulheres e crianças em Gaza e comete assassinatos em massa de palestinianos na Cisjordânia e noutros locais. Se a UE censura a Rússia porque Putin é supostamente um governante autoritário, então deveria censurar dezenas de países, incluindo todos os países árabes que vendem petróleo para a Europa. Mas Bruxelas, é claro, não quer isso! Nem mesmo as ameaças de anexação da Groenlândia por Donald Trump motivaram censuras por parte de Bruxelas, mas o singelo desenho animado russo Masha e o Urso está sendo censurado pelos europeus.
Sem liberdade de informação, não poderemos confiar nas declarações e “provas” de Merz e Ursula von der Leyen, ou do principal aventureiro militar da OTAN, Mark Rutte, que aparentemente quer iniciar uma grande guerra na Europa. Uma nova política europeia deve reconhecer as verdadeiras causas do conflito ucraniano. Putin não invadiu a Ucrânia para restaurar o império russo. A Rússia não poderia permitir a instalação de bases da OTAN na Ucrânia, assim como o presidente estadunidense Kennedy não permitiu a implantação de mísseis soviéticos em Cuba na década de 1960. Nenhuma grande potência tolerará uma ameaça mortal à sua segurança. Este é um fato que precisa ser reconhecido.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.