247 – O presidente da China, Xi Jinping, irá a Nova Déli para participar da 18ª Cúpula do Brics, marcada para sábado (12) e domingo (13). A viagem, a primeira do líder chinês à Índia em quase sete anos, poderá acelerar a reaproximação entre as duas potências asiáticas após um período de forte tensão diplomática e militar.

Segundo o jornal indiano The Indian Express, Xi deve desembarcar na capital indiana no sábado. Uma equipe de segurança da China já chegou ao país para preparar a operação de proteção ao presidente durante a cúpula, que será realizada no centro de convenções Bharat Mandapam.

A presença de Xi no encontro deve abrir espaço para uma reunião bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Embora os detalhes da agenda ainda não tenham sido divulgados integralmente, autoridades dos dois países trabalham para ampliar o diálogo sobre comércio, investimentos, tecnologia, cadeias produtivas e estabilidade na fronteira.

A viagem terá peso político especial por ser a primeira de Xi à Índia desde outubro de 2019, quando ele e Modi se reuniram em Mamallapuram, no sul do país. Meses depois, em junho de 2020, um confronto entre militares chineses e indianos no vale de Galwan, na região do Himalaia, provocou mortes e levou as relações bilaterais ao ponto mais crítico em décadas.

Desde então, Pequim e Nova Déli mantiveram sucessivas rodadas de negociações diplomáticas e militares para reduzir as tensões na Linha de Controle Real, como é conhecida a fronteira de fato entre os dois países. A retomada gradual do diálogo incluiu acordos sobre patrulhamento, reabertura de canais comerciais e restabelecimento de voos diretos.

Em artigo divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China, o embaixador chinês na Índia, Xu Feihong, afirmou que as relações entre os dois países mantêm uma trajetória de melhora em 2026. O diplomata destacou a retomada de cinco rotas aéreas diretas e do comércio fronteiriço, interrompido havia seis anos.

Encontro com Modi

A possível reunião entre Xi e Modi deve tratar tanto da cooperação dentro do Brics quanto das questões que ainda dificultam uma normalização completa das relações. A disputa fronteiriça permanece como o principal foco de desconfiança, enquanto restrições indianas a investimentos e empresas chinesas afetam o intercâmbio econômico.

Apesar das divergências, China e Índia registram um comércio bilateral expressivo. Nova Déli busca reduzir o déficit comercial e ampliar o acesso de produtos indianos ao mercado chinês, enquanto Pequim defende menos limitações aos seus investimentos nos setores de tecnologia, energia, telecomunicações e infraestrutura.

A aproximação também ocorre em um cenário de aumento das tensões comerciais internacionais. Como duas das maiores economias do Sul Global, China e Índia procuram reforçar mecanismos multilaterais capazes de reduzir a dependência das instituições financeiras e dos sistemas de pagamento controlados pelo Ocidente.

Agenda da cúpula do Brics

Presidida pela Índia, a cúpula reunirá líderes dos 11 integrantes plenos do Brics: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Arábia Saudita. Países parceiros e convidados também participarão das atividades em Nova Déli.

Os debates devem abordar a reforma da governança global, o fortalecimento do multilateralismo, a ampliação do comércio e dos investimentos, a segurança alimentar e energética, a integração das cadeias de suprimentos e a cooperação em tecnologia e inteligência artificial.

O governo indiano mobilizou milhares de agentes para proteger as delegações estrangeiras e controlar o trânsito nas principais vias de Nova Déli. A segurança de Xi ficará sob responsabilidade de unidades especiais da polícia indiana, em coordenação com agentes enviados por Pequim.

A participação presencial do presidente chinês reforça a importância atribuída por Pequim ao Brics ampliado. O bloco reúne quase metade da população mundial e aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto global, além de concentrar importantes produtores de petróleo, alimentos, minerais estratégicos e bens industriais.