A fusão entre a Warner Bros. Discovery e a Paramount foi concretizada, dando origem à Skydance. O nome vem da produtora de David Ellison, que agora assume o controle dos ativos dos dois gigantes do entretenimento, incluindo a DC, Looney Tunes e Harry Potter da Warner, e sagas como Star Trek e Missão: Impossível da Paramount.

A nova companhia pretende lançar 30 filmes nos próximos dois anos e mais 32 nos três anos seguintes. Esse número é superior às produções individuais dos estúdios no ano passado, quando a Warner lançou 11 filmes e a Paramount, nove. A concretização do acordo bilionário, avaliado em cerca de US$ 110 bilhões (R$ 548 bilhões), ocorreu após meses de entraves judiciais e superou a disputa com a Netflix.

O cenário da fusão, que inclui um serviço de streaming, tem levantado preocupações sobre a concentração de mercado e possíveis demissões em massa. Além disso, a ligação entre a Paramount e Donald Trump, através de Larry Ellison, pai do CEO David Ellison e apoiador do político, gera apreensão quanto à liberdade criativa em Hollywood e a neutralidade de veículos de notícias como CNN e CBS News.

A Justiça americana aprovou o acordo, apesar das tentativas de bloqueio por parte de alguns estados, que alegavam riscos à concorrência e impactos negativos nos custos de produção. No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não impôs restrições à fusão. O acordo estabelece metas de lançamento, uma janela exclusiva de 45 dias para exibição nos cinemas e obrigações com sindicatos de roteiristas e atores.

Um conselho será criado para garantir a isenção da CNN e da CBS News, veículos que têm histórico de atritos com Trump. A aprovação da Comissão Federal de Comunicações (FCC) americana também exigiu que países estrangeiros investidores não interfiram nas linhas editoriais e produções. Críticas sobre a possível redução de filmes independentes e obras com teor social também foram levantadas, com a Skydance priorizando blockbusters.

As séries da HBO Max, ex-Warner, conhecidas por suas narrativas complexas, continuam sendo aclamadas. A integração da plataforma com o Paramount+ pode levar ao aumento dos preços das assinaturas. Artistas como Mark Ruffalo se posicionaram contra a fusão, alegando uma “luta contra bilionários oligarcas corruptos que atropelam os interesses dos outros”.

Impacto na indústria e nas produções

Há preocupações de que produções com teor crítico, como “Uma Batalha Após a Outra”, que aborda políticas de imigração, e “Digger”, sobre um magnata egoísta, possam desaparecer das listas de grandes estreias da nova companhia. A Warner, mesmo com fracassos recentes, era conhecida por investir em obras originais, diferentemente da tendência atual de continuações.

O editor da revista Screen Daily, Jeremy Kay, expressa temor sobre o impacto da fusão em filmes independentes, que costumam ser mais provocativos. O acordo prevê que 20% dos lançamentos anuais da Skydance sejam blockbusters, com apenas quatro filmes independentes por ano.