O veto às apostas online, também conhecidas como bets, anunciado em 25 de setembro pelo governo federal, pode injetar até R$ 40 bilhões anuais no orçamento das famílias. A estimativa considera a receita bruta obtida pelas empresas de apostas online autorizadas em um ano, representando o valor perdido pelos apostadores.

Agentes do mercado financeiro acompanham de perto esse indicador, avaliando que a interrupção do fluxo de dinheiro para as casas de apostas tende a redirecionar essa renda para outros setores, como consumo, poupança ou quitação de dívidas. O cálculo não inclui a possível migração para sites de apostas ilegais.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda mostram que o mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil registrou uma receita bruta (GGR) de R$ 20,2 bilhões no primeiro semestre deste ano. Na época, 84 operadoras e 196 marcas comerciais estavam ativas. Anualizando esse indicador, o valor que poderia ser realocado para outras atividades chega a R$ 40,4 bilhões por ano.

A perda líquida diária das famílias com bets era de cerca de R$ 110 milhões, ou R$ 770 milhões por semana. No primeiro semestre, homens representavam 68,84% dos apostadores, com a maior concentração na faixa etária entre 31 e 40 anos (29,07%).

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que a movimentação diária das casas de apostas, que era de aproximadamente R$ 600 milhões, tornou-se nula após a medida provisória que proibiu a operação das bets no Brasil. Segundo ele, o Banco Central e instituições financeiras já notaram uma redução no volume de transações via Pix e uma migração para outros setores da economia.

Os sites e aplicativos de apostas tornaram-se indisponíveis a partir de 6 de outubro. A medida provisória que os tornou ilegais foi publicada em 25 de setembro. As primeiras autorizações para as bets foram concedidas em 30 de dezembro de 2024.

Reações e contexto político

A pesquisa Datafolha, divulgada em 1º de outubro, revelou que 78% da população é a favor da proibição de bets e cassinos online. Foram ouvidas 2.506 pessoas em 152 municípios brasileiros entre 28 de setembro e 1º de outubro.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória, alegando que a proibição foi abrupta e causou prejuízos bilionários às empresas que operavam sob a regulamentação vigente. O ministro Luiz Fux, do STF, solicitou informações ao governo federal, e a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a manutenção da MP, citando R$ 7 bilhões movimentados por facções criminosas em plataformas clandestinas.