A eleição de outubro não empolga o eleitor. A menos de trinta dias do pleito, as campanhas foram soterradas por sucessivos escândalos que envolvem a Suprema Corte. O protagonismo não pertence aos candidatos: está com os ministros do STF e suas extensas — e comprometedoras — relações com o pivô de toda a crise, Daniel Vorcaro.

Nas ruas, os debates seguem mornos e escassos. Bem diferente de eleições anteriores, em que, a esta altura, o termômetro político já marcava forte polarização e acalorados embates oratórios.

Quem pode considerar esse cenário um vento favorável são justamente os candidatos que, embora na disputa, mantiveram alguma proximidade com o banqueiro preso. É o caso do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Flávio foi flagrado em áudio no qual cobra milhões de dólares a Vorcaro. Conforme o próprio conteúdo revela, os valores referem-se a parcelas em atraso destinadas ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Relator do processo no STF, o ministro André Mendonça é acusado de agir para blindar Flávio — e foi justamente desse contexto que surgiu uma perseguição a Fábio Luís, filho do presidente Lula, que busca a reeleição. A postura de Mendonça não foi bem digerida nem por políticos nem por seus pares da Corte, e o resultado foi um verdadeiro “barata-voa”: vazamentos seletivos, atritos com a Polícia Federal, pedidos de impeachment e acusações recíprocas.

Em meio a esse clima de tensão entre os Poderes, caminhamos para uma eleição extremamente disputada. No segundo turno, o candidato à reeleição terá pela frente a oposição unida de todos os outros postulantes — agravada ainda pela secular preferência da mídia pelo antipetismo.

Pelo andar da carruagem, a campanha se desenrola bem mais nas redes sociais do que se podia prever. Para quem, como eu, acostumou-se com as saudáveis disputas de antigamente, a impressão é clara: em outubro, não teremos eleição.