247 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o governo do Rio de Janeiro entraram em uma nova etapa da atuação conjunta contra o crime organizado nos principais corredores logísticos do estado. Segundo nota divulgada pelo MJSP, uma reunião realizada nesta quinta-feira (17), no Escritório Nacional Antifacção do Rio de Janeiro (ENA/RJ), definiu a preparação dos primeiros Planos Operacionais Integrados (POIs) e a ampliação imediata da coordenação entre forças federais e estaduais.

De acordo com o Ministério da Justiça, representantes das instituições que participam do Acordo de Cooperação Técnica nº 5/2026/MJSP/GOV-RJ discutiram a implementação das medidas previstas na parceria entre o governo federal e o governo fluminense. O acordo busca integrar operações de segurança e proteger rotas estratégicas usadas para transporte de pessoas e mercadorias no Rio de Janeiro.

A reunião também estabeleceu a estrutura responsável pela condução da iniciativa. O Comitê Gestor ficará encarregado das decisões estratégicas, enquanto o Grupo Técnico Permanente organizará o planejamento operacional e acompanhará a execução das medidas.

A nova fase prevê que as instituições elaborem planos específicos para cada área considerada prioritária. Esses documentos deverão determinar objetivos, atribuições dos órgãos envolvidos, recursos disponíveis, formas de comunicação entre equipes, compartilhamento de dados, uso de tecnologias e critérios para avaliar os resultados das ações.

Enquanto o grupo prepara os planos, policiais e demais agentes manterão e ampliarão as atividades que já ocorrem nesses eixos. As instituições pretendem combinar policiamento, fiscalização, inteligência e investigação criminal, respeitando as atribuições legais de cada órgão.

PF, PRF e forças estaduais atuarão de forma coordenada

A estratégia reúne a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as forças estaduais de segurança. Os governos federal e do Rio coordenam a articulação entre esses órgãos.

O modelo prevê que as instituições compartilhem informações para orientar operações e investigações. A iniciativa também inclui ferramentas de monitoramento e pretende integrar dados produzidos por diferentes órgãos para direcionar ações em áreas consideradas vulneráveis.

O acordo inclui inicialmente a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Linha Amarela. As ações também abrangem os acessos ao Porto do Rio de Janeiro e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim. O Comitê Gestor poderá acrescentar outros corredores a partir de análises técnicas e das necessidades identificadas durante a execução do programa.

Segundo o MJSP, a iniciativa pretende reduzir roubos de cargas e veículos, receptação e outros crimes contra o patrimônio. As forças de segurança também buscarão identificar e desarticular organizações criminosas que utilizam essas rotas para transportar armas, drogas e outras mercadorias ilícitas ou movimentar recursos ligados a atividades criminosas.

Grupo técnico vai mapear vulnerabilidades

O Grupo Técnico Permanente começará a analisar informações e diagnósticos produzidos pelas instituições participantes. A equipe deverá mapear pontos vulneráveis e levantar os recursos humanos, operacionais e tecnológicos disponíveis para cada corredor.

Com esses dados, o grupo elaborará os primeiros Planos Operacionais Integrados. Os documentos deverão estabelecer áreas prioritárias, responsabilidades, mecanismos de acionamento das equipes, canais de comunicação, indicadores de desempenho e cronogramas.

O governo também poderá incorporar outras instituições ao trabalho conforme as necessidades de cada operação. A lista inclui Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Administrações portuárias e aeroportuárias também poderão participar das ações. O mesmo vale para o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e o Detran-RJ.

Ações já ocorrem nos acessos ao Rio

As forças federais e estaduais já realizam operações conjuntas em corredores e acessos ao estado. No início de setembro, por exemplo, o MJSP informou que a Operação Foco apreendeu mais de meia tonelada de maconha em Itatiaia, em uma ação relacionada à integração nos corredores logísticos.

O novo modelo pretende transformar ações pontuais em um planejamento contínuo, com atribuições previamente definidas, troca regular de informações e acompanhamento dos resultados. O Comitê Gestor e o Grupo Técnico Permanente acompanharão a execução e poderão revisar as medidas ou incluir novas rotas conforme os dados produzidos pelas operações.