A semana foi de sufoco para quem torce por time grande com problemas — e não estou falando só de Londrina, não. O Corinthians trouxe Clarence Seedorf para tentar salvar a pele na reta final do Brasileirão, enquanto o Tubarão segue patinando na Série B, cada vez mais perto da Série C. Dois times, duas crises, uma mesma sensação: quando o leão está ferido, qualquer passo em falso vira tragédia.

Seedorf e o leão ferido do Parque São Jorge

O holandês de 50 anos desembarcou em São Paulo na quarta-feira (14) com a missão de virar o jogo de um Corinthians que acumula oito derrotas seguidas e foi goleado por 4 a 1 pelo Palmeiras. A metáfora do "leão ferido" que ele usou para descrever o elenco é certeira: campeão da Copa do Brasil e da Supercopa há poucos meses, o Timão está na 16ª posição, a um passo da zona de rebaixamento. Seedorf pediu apoio da torcida e disse preferir jogador que "exploda" a um que fique indiferente — mas a real é que, com apenas cinco dias para preparar a estreia contra o Vitória, o tempo para explodir (no bom sentido) é curto demais.

A aposta é arriscada. Seedorf tem currículo de craque — cinco Champions League, títulos na Espanha, Itália e Holanda —, mas como técnico a história é outra: passou por Milan, Shenzhen, Deportivo e Camarões sem deixar grande marca. Agora, com contrato até o fim de 2027, ele tem oito rodadas para provar que sabe comandar da beira do campo tanto quanto comandava no meio. Se der certo, vira herói. Se não, vai entrar para a lista de apostas que não vingaram.

Londrina: a conta não fecha mais

Enquanto o Corinthians ainda tem margem para reagir, o Londrina está com água no pescoço — e a maré não para de subir. O empate em 2 a 2 com o Athletic-MG, na terça (13), foi mais um capítulo de frustração: o Tubarão saiu na frente duas vezes, mas não segurou o resultado. João Vitor marcou os dois gols alvicelestes, mas a defesa voltou a vacilar. Resultado: quatro jogos sem vencer, 18ª posição, 28 pontos — dez a menos que o Botafogo-SP, primeiro time fora da zona de rebaixamento.

A situação é tão delicada que o rebaixamento para a Série C pode ser confirmado já na próxima rodada. O Londrina recebe o Cuiabá nesta terça-feira (20), às 19h30, no VGD, e precisa vencer para manter qualquer esperança de permanência. Mesmo assim, vai depender de uma combinação de resultados favoráveis. A torcida londrinense sabe: matematicamente ainda dá, mas na prática o time não vem mostrando que tem fôlego para a virada.

O comando interino de Hugo Chacon, das categorias de base, é mais uma tentativa desesperada depois da saída de Rogério Micale, que deixou o clube com aproveitamento de 31,9%. Desfalques no meio e no ataque só pioram o cenário. Se o Tubarão não acordar agora, a Série C vem aí — e Londrina não merece isso.

Quando a camisa pesa de verdade

Corinthians e Londrina estão em divisões diferentes, mas vivem o mesmo drama: times com história, torcida apaixonada e elencos que, no papel, não deveriam estar nessa situação. A diferença é que o Timão ainda tem tempo e recurso para buscar a reação; o Tubarão, não. A margem de erro acabou.

Agora é torcer, rezar e cobrar. Porque quando o leão está ferido, ou ele reage com fúria — ou vira presa fácil.

A coluna Arquibancada sai todo domingo na seção Esporte do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.