O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual na morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, questionou em interrogatório as mensagens trocadas com ela sobre a separação do casal. Ele também apontou erros na perícia do Instituto de Criminalística.
O interrogatório ocorreu na segunda-feira (5) e durou mais de oito horas. Conforme a defesa da família de Gisele, que acompanhou o depoimento, o tenente-coronel disse que a esposa simulava a intenção de se separar nas mensagens, postura que, segundo ele, não condizia com as conversas pessoais. Ele afirmou que deixou de iniciar o processo de divórcio duas vezes a pedido dela.
Um relatório da Polícia Civil indicou que o celular de Gisele foi desbloqueado e teve mensagens apagadas minutos após ela ser atingida por um tiro na cabeça. A perícia conseguiu recuperar as mensagens, enviadas na noite anterior. Textos como “Pode entrar com o pedido [de divórcio] essa semana” e “Já que decidiu separar” foram recuperados, mostrando que o casal discutia a separação há semanas.
Um dos pontos centrais da defesa é a altura de Gisele, descrita nos laudos criminais como 1,65m. O réu argumenta que ela tinha dez centímetros a mais, o que seria relevante porque ele alega que a pistola calibre .40 que disparou estava sobre um armário e que a esposa cometeu suicídio enquanto ele tomava banho. O laudo aponta que ela não teria altura suficiente para pegar a arma. A defesa do tenente-coronel deve solicitar que a polícia verifique novamente a altura da vítima.
Neto também alegou que Gisele apresentava alterações de humor devido ao uso do remédio oxandrolona, que teriam influenciado as mudanças de atitude em relação ao divórcio. No entanto, o exame toxicológico do cadáver não indicou a presença desse medicamento. Após o interrogatório, a Justiça concederá cinco dias para as partes se manifestarem e apresentarem as alegações finais. Após essa fase, Neto poderá ser pronunciado para júri popular ou absolvido sumariamente.
Cronologia dos eventos
Registros de celulares e depoimentos indicam que o tenente-coronel pode ter apagado mensagens no celular da esposa. Às 6h48, o celular de Gisele foi desbloqueado. Às 7h28, uma vizinha ouviu o tiro. Às 7h31, o celular de Gisele foi desbloqueado novamente, com a tela ativa em diversos momentos até as 7h58. Às 7h54, o celular do tenente-coronel fez a primeira ligação para o 190, não completada. No minuto seguinte, ele ligou novamente, ficando apenas cinco segundos na linha. Somente às 7h57 houve uma ligação de três minutos para o atendimento de emergências.







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