Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) defende a aceleração das apurações internas sobre o suposto envolvimento de ministros no caso Banco Master. O objetivo é evitar possíveis processos de impeachment no Senado a partir de 2027, quando uma nova bancada de senadores tomará posse e que, em grande parte, defende o afastamento de ministros por crime de responsabilidade.

O presidente do tribunal, Edson Fachin, já solicitou à cúpula da Polícia Federal (PF) um relatório detalhado sobre as referências aos ministros, mas sem juízo de valor. No entanto, a estratégia pode não ser eficaz, visto que o plano de concluir as apurações até o final deste ano enfrenta obstáculos.

A PF deve entregar o relatório ao STF somente após o segundo turno das eleições. Em seguida, Fachin solicitará um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir sobre a necessidade de abertura de inquérito contra os integrantes da Corte mencionados. O caso será então enviado ao Plenário do STF, que deliberará sobre a abertura do inquérito. A discussão sobre o tema, em 15 de setembro, foi adiada após pedido de vista pelo ministro Flávio Dino e resultou em embates entre os ministros.

Caso um inquérito seja aberto, as investigações envolverão depoimentos e produção de provas, um processo que geralmente leva meses. Como o STF entra em recesso em 20 de dezembro, a conclusão das apurações ainda em 2024 é improvável. Se Fachin determinar a ausência de elementos robustos para um inquérito, os indícios podem ser arquivados. Contudo, esse desfecho não afastaria a motivação dos senadores eleitos para processos de impeachment.

A solicitação do relatório à PF por Fachin ocorreu após Flávio Dino defender, em plenário, a investigação de todos os ministros citados no caso Banco Master. Ao menos seis ministros — Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques — teriam sido referenciados nas apurações, o que não implica em cometimento de crime.