Diferentes segmentos da sociedade paranaense, incluindo o setor empresarial, a construção civil e a área da educação, apresentaram suas principais demandas para a gestão de Sergio Moro, governador eleito do Paraná. Faltando menos de três meses para a posse, as prioridades abrangem infraestrutura, logística, desburocratização, fomento à indústria, habitação e valorização dos profissionais da educação.

Sergio Moro, eleito no primeiro turno, assume o desafio de conciliar as diversas expectativas de um estado que se destaca como a quarta maior economia do país. Algumas dessas reivindicações já haviam sido levantadas durante a campanha eleitoral, enquanto outras ganham relevância agora, às vésperas do início da transição governamental.

Demandas por Desenvolvimento Econômico e Social

A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), por meio de seu vice-presidente Gerson Guariente Júnior, enfatiza a necessidade de articulações integradas nas áreas de economia, infraestrutura, governança e inovação. A entidade defende o fortalecimento da indústria no interior do estado, com a atração de empresas de grande porte e a implementação de projetos de energia limpa e economia circular. Guariente Júnior ressalta a importância da duplicação de eixos rodoviários, modernização da malha ferroviária para o Porto de Paranaguá, uso de aeroportos para carga, e revisão da segurança energética. Para ele, é crucial desburocratizar licenciamentos, garantir previsibilidade regulatória para atrair investimentos e descentralizar a administração, conferindo autonomia ao interior.

A Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), sob a presidência de Conrado Scheller, prefeito de Cambé, solicita que as obras e programas em andamento não sejam interrompidos. Scheller destaca que as obras beneficiam a população e que a continuidade é fundamental para o desenvolvimento do Norte do Paraná. As demandas para a região incluem ampliação dos serviços de saúde, melhorias na infraestrutura rodoviária e mobilidade, além de investimentos em segurança pública, educação, habitação e geração de empregos. A Amepar também defende o fortalecimento do municipalismo, com mais recursos, menos burocracia e maior autonomia para os municípios, e investimentos em proteção animal.

O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Norte do Paraná (Sinduscon Paraná Norte), por meio de seu presidente Sandro Nobrega, prioriza a modernização do ambiente regulatório, com a simplificação e digitalização dos processos de licenciamento e aprovação de projetos, e maior integração entre Estado e municípios. A entidade aponta a necessidade de investimentos na infraestrutura rodoviária, especialmente nos acessos a Londrina e nas ligações com São Paulo, incluindo duplicações e contornos. O Sinduscon também considera urgente a ampliação dos investimentos em infraestrutura de transmissão e distribuição de energia e o fortalecimento da política habitacional, como o programa Casa Fácil Paraná.

Educação e Agronegócio

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apresentou durante a campanha eleitoral sua proposta de Política Industrial para o Paraná, focando em segurança jurídica, desburocratização, competitividade tributária, atração de investimentos, infraestrutura logística e energética, qualificação profissional, inovação e transformação digital. A entidade também cobra mecanismos de governança e metas para assegurar a continuidade das ações independentemente das mudanças de governo.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) entregou aos candidatos uma carta com 17 compromissos para a educação estadual, mas o governador eleito não assinou o documento, segundo a presidente Walkiria Mazeto. O sindicato reivindica a valorização dos profissionais da educação, com cumprimento do piso salarial, revisão de carreiras, concursos públicos e redução de contratos temporários. Defende ainda mais recursos para a escola pública, gestão democrática, revogação de programas vistos como privatizantes e o fim da militarização das escolas, além de medidas para as condições de trabalho e direitos de servidores ativos e aposentados.

A Sociedade Rural do Paraná (SRP), por sua vez, espera que o próximo governo avance em pautas como segurança jurídica, infraestrutura, crédito rural, energia, pesquisa e fortalecimento da agroindústria. O presidente Ilson Romanelli manifesta a expectativa de que a pasta da Agricultura seja liderada por alguém com profundo conhecimento e experiência no setor. A SRP também demanda a garantia do direito de propriedade, prevenção de invasões de terras, investimentos em estradas rurais, rodovias e duplicações, além da ampliação do acesso ao crédito para produtores e melhoria do fornecimento de energia elétrica no campo. A entidade defende a manutenção dos investimentos em pesquisa e inovação, e políticas de incentivo à instalação de agroindústrias para agregar valor à produção e gerar empregos no estado.