O advogado Willer Tomaz, que é investigado pela Polícia Federal (PF), viajou com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dos Estados Unidos para o Brasil em janeiro de 2025. A aeronave utilizada no voo tinha conexões com uma empresa associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master. Essa informação, divulgada nesta quinta-feira (24), intensificou o foco da PF na atuação de Tomaz em movimentações financeiras e patrimoniais ligadas a um grupo que inclui o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
A Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), colocou Tomaz no centro das apurações. A PF e a Controladoria-Geral da União iniciaram essa operação em abril de 2025. Em agosto do mesmo ano, a corporação cumpriu mandados de busca e apreensão contra o advogado, como parte de uma fase da investigação que também alcançou familiares de Weverton Rocha.
Relações Financeiras e Patrimoniais
As investigações atuais buscam detalhar possíveis movimentações financeiras e patrimoniais ligadas ao grupo, examinando se indivíduos, empresas, contas de terceiros e operações em dinheiro foram utilizados para ocultar a origem ou o destino de recursos. A PF descreve Tomaz como um suporte financeiro, patrimonial e logístico para Weverton Rocha. Documentos da apuração indicam que empresas, imóveis, aeronaves, funcionários e operadores financeiros estão entre os elementos associados ao advogado e sob análise da Polícia Federal.
Uma das vertentes da investigação foca em Samya Rocha, esposa do senador. A PF suspeita que a conta pessoal dela tenha sido usada para recebimento de valores, apontando repasses superiores a R$ 11 milhões em 2024, feitos por empresas ligadas a Willer Tomaz. A apuração tenta esclarecer a origem, a finalidade e os beneficiários dessas transações. Outro ponto é a compra de uma casa por R$ 6 milhões. A investigação sugere que Weverton participou das negociações, mas uma empresa de Tomaz registrou a propriedade em abril de 2023. A PF averigua se o senador exercia controle econômico sobre o imóvel, mesmo sem figurar como proprietário.
Voo com Flávio Bolsonaro e Defesas
A ligação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro ganhou notoriedade após a revelação da viagem em janeiro de 2025. O senador confirmou o uso do jato, que era administrado por uma empresa com laços com Daniel Vorcaro à época. Tomaz, por sua vez, nega qualquer relação com o ex-banqueiro, afirmando em nota que não o conhece, jamais se encontrou com ele e nunca realizou negócios em conjunto. Ele também afirma que a venda de uma cota a uma empresa ligada a Vorcaro ocorreu sem seu conhecimento, e que está em litígio com a empresa desde 2026, quando soube do fato.
A defesa do advogado contesta a acusação de que Tomaz esteja diretamente envolvido em desvios de aposentados e pensionistas, afirmando que a investigação se limita à propriedade de um imóvel, sob a hipótese de que o bem pertenceria a um parlamentar. O nome de Tomaz já havia sido associado a uma investigação federal em 2017, na Operação Patmos, que apurava suspeitas de interferência em investigações sobre fundos de pensão, mas foi solto pelo Supremo Tribunal Federal meses depois. Atualmente, as diligências da Operação Sem Desconto focam nas relações patrimoniais e financeiras identificadas pela PF a partir do material coletado nas investigações sobre Weverton Rocha. Tomaz mantém a negativa sobre sua participação em desvios do INSS e qualquer vínculo comercial ou pessoal com Daniel Vorcaro.






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