Seus dados pessoais vazados na dark web custam muito pouco — entre US$ 0,50 (R$ 2,59) e US$ 160 (R$ 830,40). Dados sensíveis e financeiros de brasileiros, roubados de grandes empresas e até do governo, são vendidos por preços menores que um pacote de macarrão instantâneo. Estudos recentes de empresas de cibersegurança como NordVPN e Kaspersky revelam essa realidade desafiadora. A desvalorização drástica ocorre pela abundância de informações expostas nos últimos anos.

Um paradoxo marca esse cenário: enquanto 37% dos brasileiros temem por seus dados bancários, os cibercriminosos focam em contas de uso diário. Serviços de e-mail, redes sociais e plataformas de streaming lideram as vendas no mercado paralelo. A lei da oferta e da procura explica os preços irrisórios. Vazamentos gigantescos de bancos de dados colocam milhões de registros à venda de uma única vez. Bases com milhões de CPFs custam apenas algumas centenas de dólares.

O que cada tipo de dado custa

As contas financeiras já verificadas representam os itens mais caros no submundo digital. Perfis comprometidos da plataforma Wise alcançam US$ 899 (R$ 4.665,81). Contas do aplicativo Revolut ultrapassam facilmente a marca de US$ 1.700 (R$ 8.823,00). Redes sociais e plataformas de entretenimento apresentam valores menores e alta demanda. O acesso ao TikTok custa cerca de US$ 60 (R$ 311,40), perfis do Telegram valem US$ 12 (R$ 62,28) e senhas ativas da Netflix circulam por menos de US$ 5 (R$ 25,95). Um pacote completo de identidade, conhecido como "fullz", custa entre US$ 30 (R$ 155,70) e US$ 50 (R$ 259,50). Esse kit inclui nome completo, CPF, RG, filiação e histórico de endereços. Com esses dados, golpistas abrem contas falsas e solicitam crédito.

Os criminosos não lucram com a venda de dados individuais por altos valores. Eles vendem pacotes massivos de informações para compradores focados em golpes rápidos. Fraudes financeiras e ataques em massa ganham escala e lucratividade dessa forma. O comportamento online da população alimenta ativamente esse mercado ilegal. Uma pesquisa da empresa Cint aponta que 82% dos brasileiros já compartilharam o nome completo na internet. Essa superexposição facilita o trabalho das redes criminosas.

O excesso de confiança no ambiente digital gera arrependimento para grande parte dos brasileiros. Cerca de 21% dos entrevistados lamentam a divulgação de informações pessoais online — quase o dobro da média global. Além disso, 33% dos usuários confessam a incapacidade de passar um dia sem internet, aumentando a pegada digital e a vulnerabilidade a invasões.

Como se proteger

Especialistas em cibersegurança recomendam extrema cautela com a exposição de informações na rede. Evitar a divulgação desnecessária do CPF e usar senhas complexas são passos fundamentais de proteção. A ativação da dupla verificação ajuda a bloquear acessos não autorizados.