A analista internacional Rose Martins sugere que os Estados Unidos podem aumentar sua influência nas eleições brasileiras de 2026, utilizando plataformas digitais para construir uma percepção de desconfiança sobre o processo eleitoral. Segundo Martins, uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia ser contestada por Washington antes mesmo da divulgação oficial dos resultados.

Em sua análise, apresentada durante o programa Mais à Esquerda, da TV 247, Martins indicou que as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, podem ser instrumentos chave nessa possível atuação norte-americana. Ela destacou que a interferência pode ocorrer de forma mais direta através dessas plataformas.

Big techs como ferramenta de influência

Experiências eleitorais recentes demonstram como as redes sociais podem funcionar como ferramentas de propaganda política, beneficiando certas candidaturas, conforme observado pela analista. Martins citou como exemplos o pleito brasileiro de 2018 e eventos subsequentes nos Estados Unidos e na Colômbia, indicando que esse mecanismo pode se intensificar em 2026.

A interferência, em sua visão, não se daria diretamente na votação ou apuração, mas sim na criação de um ambiente político que questionaria a legitimidade das eleições brasileiras de forma antecipada. A analista afirmou: “Os Estados Unidos não vão reconhecer a vitória do Lula e eu acho que isso vai significar também uma interferência”.

Martins esclareceu que esse clima de não reconhecimento não surgiria apenas após a divulgação dos resultados, mas sim dias antes da eleição. A estratégia envolveria declarações que colocariam o sistema eleitoral brasileiro sob suspeita, questionando previamente a validade do resultado.

Distinção entre pressão e intervenção direta

Apesar de apontar essa possibilidade, Martins fez uma distinção clara entre a pressão política e comunicacional e uma intervenção direta na apuração. Ela não possui elementos para sustentar a hipótese de interferência na contagem de votos ou nas urnas eletrônicas, afirmando: “Eu não saberia dizer com segurança. Eu não sei se eles têm realmente os instrumentos para isso”.

A preocupação da analista reside na capacidade de articulação entre atores políticos e plataformas digitais para gerar uma percepção pública de ilegitimidade do processo eleitoral. Nesse contexto, as big techs teriam um papel fundamental na disseminação e amplificação de conteúdos que visam colocar a eleição em dúvida. Ela descreveu a narrativa que poderia ser construída: “Eu acho que eles vão criar um clima a partir das big techs, contando com as big techs, mas o próprio governo dos Estados Unidos, de não reconhecimento das eleições, porque as eleições aqui não foram limpas”.

Essa estratégia seria similar à adotada por Donald Trump nos Estados Unidos, que tem buscado lançar dúvidas sobre a confiabilidade das eleições. Para Martins, a aplicação desse método no Brasil faria com que a disputa pela legitimidade do resultado começasse antes mesmo da abertura das urnas, não dependendo de uma ação direta sobre o sistema de votação, mas sim da influência sobre a percepção de sua confiabilidade. As plataformas digitais, portanto, estariam no centro do debate sobre uma possível interferência externa nas eleições de 2026, com o objetivo de questionar antecipadamente a legitimidade de uma eventual vitória de Lula.