Tanto Flávio Bolsonaro como Tarcísio de Freitas estão preocupados com os dados que mostram que o Governo Lula colocou o país nos trilhos, pronto para acelerar, e que é Fernando Haddad o melhor nome para governar o Estado de São Paulo. Isso ficou muito evidente na questão do volume de investimentos.

Diante do fato de que o Governo Lula investiu muito mais que seu antecessor no Estado de São Paulo e que a gestão Tarcísio fala uma coisa, mas na prática faz outra, os dois candidatos da extrema direita resolveram criar a narrativa de que Lula boicota São Paulo. Preparem-se, porque durante as eleições, é isso que vão dizer, fingindo que não sabem que o Estado de São Paulo foi tratado com cuidado, respeito e muito investimento por Lula.  

Ao construir a narrativa enganosa, Tarcísio mencionou “supostos atrasos” na liberação de um empréstimo que exigia aval do Ministério da Fazenda. A análise do ministério é importante porque, se um governo estadual atrasar ou ficar inadimplente, é o governo federal (a União) quem arca com a conta. Justamente por isso esses processos têm tramitação mais extensa, avaliação criteriosa, especialmente quando envolvem altas somas, como os R$ 5,45 bilhões para a Linha 6 Laranja do Metrô a que Tarcísio se referiu. 

Só que essa narrativa do boicote não fica de pé. O governador não mencionou, por exemplo, o montante de recursos transferidos pelo Governo Lula para o Estado de São Paulo. São R$ 195,7 bilhões em investimentos vindos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) seleções, entre recursos do Orçamento Geral da União, dos fundos públicos federais e dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. 

Desse total, cerca R$ 150 bilhões estão comprometidos diretamente com projetos de mobilidade do governo estadual, como os R$ 2,9 bilhões para o Túnel Santos-Guarujá, os R$ 6,4 bilhões para o Trem Intercidades (São Paulo-Campinas) e o R$ 1,3 bilhão para o Rodoanel (trecho norte). Não podemos deixar de ressaltar os R$ 12,3 bilhões para a Linha 6, via BNDES, que se somam ao financiamento de R$ 5,45 bilhões do Banco do Brasil, justamente aquele citado por Tarcísio e que foi aprovado há poucos dias. 

Tarcísio se queixa de barriga cheia quanto ao apoio do Governo Lula a São Paulo, mas parece não se preocupar com a enxurrada de “reequilíbrios contratuais” que sua gestão promoveu para as concessionárias. Foram R$ 8 bilhões de repasses novos, entre os quais, os voltados à Linha Laranja, que teve um acréscimo de mais R$ 3,5 bilhões ao custo da obra. Um grande contrassenso…

Mas há uma razão forte para que Flavio e Tarcísio não falem de números nesse caso. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, os repasses federais para investimentos foram muito menores. Ao todo, o Governo Lula enviou ao Estado de São Paulo três vezes mais verbas que os R$ 8 bilhões de todo o mandato de Bolsonaro.

No caso das transferências diretas do Orçamento (a fundo perdido), Lula enviou até o momento mais de R$ 25 bilhões a São Paulo, destinados a questões prioritárias, como a construção de equipamentos de saúde (UBSs, UPAs e hospitais) e educação (escolas, creches, Institutos Federais), além de obras voltadas às áreas de risco (proteção de encostas e drenagem, por exemplo) e saneamento. 

Com as transferências de fundos federais, a diferença é também expressiva: na gestão Bolsonaro, foram R$ 15 bilhões anuais em média do FGTS para o Minha Casa Minha Vida (de 2019 a 2022); com Lula, passou-se para mais de R$ 25 bilhões (de 2023 a 2026). O Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia talvez registre o volume mais gritante: nos anos Bolsonaro, passou-se de zero (isso mesmo que você leu: zero!), confirmando o pouco caso que a extrema direita faz da ciência e pesquisa, para R$  3 bilhões anuais no Governo Lula. 

Houve mudança significativa também em relação aos financiamentos dos bancos públicos. Só o BNDES realizou até aqui mais de R$ 163 bilhões em operações de crédito para empresas paulistas, mas também para o governo estadual e prefeituras. Somando as operações de investimento do Banco do Brasil e da Caixa, o valor será superior aos R$ 240 bilhões ao final de 2026. O governo do Estado receberá diretamente empréstimos superiores a R$ 20 bilhões, quantia 4,5 vezes maior do que a registrada em todo o período em que Bolsonaro esteve na Presidência. 

Portanto, é falsa a afirmação de Tarcísio de que o Governo Lula não atende aos seus adversários políticos. Governadores bolsonaristas, como Tarcísio, foram tratados em igualdade de condições com todos os demais, basta dar um breve mergulho nos dados públicos disponíveis para verificar essa realidade. Aliás, uma transparência com o dinheiro público que falta à gestão de Tarcísio, da qual não se tem clareza como administrou os recursos paulistas. 

O fato é que Tarcísio inaugurou e lançou dezenas de obras omitindo a participação majoritária de recursos federais e sem convidar representantes do governo federal. Em contraste, Lula sempre convidou os governadores nessas ocasiões, qualquer que fosse o partido. Inclusive, por diversas vezes, lamentou a ausência de governadores de partidos de oposição e sempre elogiou os que se fizeram presentes pela atitude republicana em prol do bem coletivo. Afinal, o objetivo maior de um bom governante é melhorar a vida do povo, o que sempre se consegue com maior facilidade e profundidade com a união de esforços.   

Afirmações falsas, deturpação de autoria e construção de narrativas fake são atitudes inaceitáveis para um governador de um Estado com o peso e a importância de São Paulo. Os debates e a campanha eleitoral vão expor esses vícios e mostrar quem realmente tem programas para desenvolver nosso país.