Corinthians, Palmeiras e São Paulo optaram por aguardar antes de tomar decisões definitivas após a publicação da Medida Provisória que proíbe apostas esportivas e publicidade do setor no Brasil. Os três clubes mantêm contratos milionários com casas de apostas e acompanham agora como o Congresso Nacional vai analisar a medida nos próximos 120 dias.
O Corinthians tem acordo com a Esportes da Sorte até dezembro de 2029, que prevê a suspensão do patrocínio caso as apostas sejam proibidas. O contrato vale R$ 150 milhões por ano, podendo chegar a R$ 200 milhões com cumprimento de metas. A empresa avisou o clube na véspera da MP entrar em vigor que poderia usar essa cláusula, mas ainda não fez comunicação oficial. O clube mantém diálogo com a empresa e considera possível que a proibição seja alterada ou deixe de valer durante a análise no Congresso.
O Palmeiras segue estratégia parecida com o contrato da Sportingbet, que garante R$ 100 milhões fixos por temporada e pode atingir R$ 170 milhões com bônus por títulos. O clube evita se manifestar publicamente e considera que o acordo continua valendo. A prioridade é acompanhar o que acontece no Congresso antes de qualquer decisão.
O São Paulo, por sua vez, tem acordo com a Superbet que permite rescisão caso as apostas sejam proibidas. O contrato foi renovado em abril de 2025 e pode chegar a R$ 1 bilhão em seis anos se as metas esportivas forem atingidas, incluindo também direitos como o nome do centro de treinamento, agora chamado SuperCT. Assim como os outros dois clubes, São Paulo e Superbet ainda não definiram uma estratégia após a MP.
Impacto financeiro para o futebol brasileiro
Os clubes e demais empresas têm até 5 de outubro para retirar anúncios e materiais de publicidade. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar conforme cronograma divulgado pelo governo. As três equipes entendem que uma solução conjunta entre clubes e empresas pode ser mais eficaz que decisões isoladas, mas os contratos têm regras diferentes, impossibilitando uma única solução para todas as equipes.
A medida pode impactar significativamente as receitas dos clubes brasileiros. Em 2025, as empresas de apostas pagaram R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos 20 clubes da Série A, de um total de R$ 3,069 bilhões arrecadados com patrocínios, representando cerca de um terço de toda a receita com patrocínios dos times da elite nacional.







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