Apesar de estarem sob escrutínio público devido ao envolvimento no caso Banco Master, apontado como o maior escândalo de corrupção recente do país, diversos políticos foram eleitos ou reeleitos no domingo (4). Entre os 16 candidatos monitorados que tiveram maior ou menor grau de envolvimento com o caso, a maioria conseguiu a vitória nas urnas.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, liderou a votação no primeiro turno para a Presidência da República, com 47% dos votos, e disputará o segundo turno. A campanha superou a crise que o atingiu em maio, quando o site The Intercept Brasil revelou a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro é investigado por ter solicitado o equivalente a R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente pagos. Ele nega irregularidades e afirma que o acordo foi privado.

Outro nome envolvido no caso e reeleito foi o deputado federal Mario Frias (PL-SP), com mais de 90 mil votos. Ele é produtor-executivo de “Dark Horse” e foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos públicos para o filme. O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, também foi reeleito com mais de 120 mil votos. Mensagens extraídas pela Polícia Federal indicam proximidade entre Motta e Vorcaro, com diálogos sobre empréstimos e compra de terrenos. O parlamentar negou qualquer ilícito e afirmou ter uma vida pública limpa.

O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, eleito pelo Rio de Janeiro, também foi citado. Ele e sua irmã prestaram serviços de advocacia para o Banco Master entre 2023 e 2024. Rueda admitiu ter feito “dezenas de pareceres e centenas de reuniões” para o banco, classificando a atividade como profissional e dentro dos padrões legais.

No Senado, Jaques Wagner (PT-BA) foi reeleito. O senador foi alvo de busca e apreensão na investigação do caso Master por suspeitas de pagamentos e um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, ligado ao banco. Ele negou ter se beneficiado e deixou a liderança do governo no Senado.

Houve também políticos envolvidos com o Banco Master que não foram eleitos. Entre eles, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que não se reelegeu. A Polícia Federal aponta uma relação de “elevado grau de intimidade, confiança e proximidade” entre Nogueira e Vorcaro, com registros de hospedagens de luxo e repasses milionários. Nogueira apresentou uma proposta no Congresso, apelidada de “emenda Master”, que aumentaria a garantia do FGC para correntistas, mas a PEC não avançou. Ele nega qualquer conduta inadequada.

Na disputa pelo governo da Bahia, ACM Neto (União-BA) perdeu para Jerônimo Rodrigues (PT-BA). O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag, gestora de recursos, entre março de 2023 e maio de 2024. Vorcaro, em proposta de delação premiada, afirmou que ACM Neto recebeu 10% dos valores investidos por institutos de Previdência estaduais no Master. ACM Neto confirmou os contratos, mas declarou que os serviços prestados não envolveram irregularidades.