O Plano Estadual de Desenvolvimento da Cafeicultura do Paraná, atualmente em fase final de elaboração, tem como meta expandir a área cultivada com café de 25 mil para 85 mil hectares até o ano de 2038. A expectativa é que o lançamento oficial do plano ocorra até novembro. Em 2025, o estado produziu cerca de 745 mil sacas beneficiadas, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, envolvendo 4,8 mil famílias, muitas delas da agricultura familiar.
A Câmara Setorial do Café, que inclui o Sistema Faep, foi responsável pela atualização do plano, entregue à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) no início de setembro. O objetivo central é fortalecer a cafeicultura paranaense a longo prazo, focando na expansão da área plantada, no aumento da produtividade, na elevação da produção e na melhoria da qualidade do café produzido no estado.
Metas e desafios da cafeicultura
O plano também estabelece metas para a modernização das lavouras, como a mecanização, o reforço na assistência técnica e o crescimento da participação dos cafés especiais no mercado. Essas iniciativas visam tornar a atividade mais competitiva e sustentável. A construção do plano envolveu a colaboração de diversos representantes do setor, incluindo a Seab, o IDR-Paraná, o Sistema Faep, a Fetaep, sindicatos rurais e de trabalhadores, prefeituras e entidades de produtores, além de profissionais da área.
Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep, destacou que a evolução do setor e as mudanças no cenário produtivo desde a primeira versão do plano, em 2022, motivaram a revisão de números, prioridades e estratégias. O plano, proposto pelo setor produtivo, agora aguarda a avaliação do governo estadual para determinar a viabilidade e os meios para sua implementação. A proposta busca criar condições para um crescimento estruturado da cafeicultura, com mais tecnologia, menos riscos para os produtores e maior capacidade de geração de renda.
Superando adversidades e buscando o crescimento
A retração da cafeicultura no Paraná ao longo das últimas décadas é atribuída a fatores como as geadas, a competição por terras com culturas anuais mecanizadas, períodos de preços desfavoráveis, aumento dos custos e a crescente dificuldade de mão de obra. Além disso, houve uma redução na estrutura de assistência técnica e comercialização específica para o café. Atualmente, os produtores enfrentam desafios como riscos climáticos, altos custos de produção, escassez de mão de obra e a necessidade de mecanização.
A cafeicultora Maristela de Fátima da Silva Souza, de Pinhalão e Tomazina, exemplifica o potencial e os desafios. Com 2 hectares cultivados neste ano, ela planeja triplicar sua área para 6 hectares em 2025, incluindo cafés tradicionais e especiais. Maristela ressalta o crescimento da produção de cafés especiais no estado e a valorização do produto, que chega a ser exportado para a Holanda. No entanto, ela aponta que fatores climáticos, como geadas e chuvas intensas na época da colheita, limitam a expansão da produção de cafés especiais. Para equilibrar, o café tradicional, que resiste melhor às intempéries, garante a receita necessária para cobrir os investimentos.







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