247 – Relatórios de inteligência citados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuem a André Mendonça críticas ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por uma suposta proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os documentos também registram questionamentos do ministro sobre a confiabilidade do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

As informações foram divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, os investigadores relacionaram as declarações atribuídas a Mendonça a uma sequência de episódios que poderia indicar interferência na atuação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com os relatórios, Mendonça teria considerado “inadequada” a proximidade entre Andrei Rodrigues e Lula. Por esse motivo, o ministro teria afirmado que o diretor-geral não seria “confiável” para comandar determinadas investigações.

A documentação registra ainda que Mendonça teria avaliado a possibilidade de afastar Rodrigues do cargo. A PF associou essa hipótese a outras manifestações de insatisfação atribuídas ao ministro em relação à direção da corporação e à maneira como alguns inquéritos estavam sendo conduzidos.

Na avaliação apresentada pelos investigadores, a sucessão de episódios poderia representar uma tentativa de interferência no trabalho da Polícia Federal. Os documentos mencionam o risco de uma “incompatibilidade estrutural” entre as autoridades encarregadas das apurações e o ministro responsável por exercer a supervisão judicial dos casos.

Desconfiança também teria alcançado Paulo Gonet

Os questionamentos atribuídos a Mendonça não teriam ficado restritos ao comando da PF. Conforme os relatórios, o ministro também teria declarado que a PGR não seria “digna de confiança” devido à proximidade de Paulo Gonet com o ministro Gilmar Mendes, também integrante do STF.

Os documentos indicam que Mendonça teria demonstrado preocupação com a participação do procurador-geral nos casos submetidos à Corte. Nesse contexto, o ministro teria cogitado “arrolá-lo como testemunha” em processos originados das operações.

Para a Polícia Federal, essa possibilidade criaria outro impasse institucional. Como procurador-geral da República, Gonet é responsável por promover a ação penal perante o STF nos processos de competência originária do tribunal.

A eventual inclusão do chefe da PGR como testemunha poderia, segundo o relatório, gerar uma “incompatibilidade estrutural” com a função exercida por ele. Na prática, Gonet passaria a ocupar uma posição processual potencialmente conflitante com sua responsabilidade institucional de atuar nos casos perante o Supremo.

As declarações atribuídas a Mendonça aparecem em documentos revelados por Moraes no âmbito de uma decisão do STF. A Polícia Federal reuniu os episódios para sustentar sua avaliação de que teria ocorrido um aumento da interferência do ministro sobre a condução das investigações e sobre o trabalho das duas instituições.