A Polícia Federal vai criar uma divisão dedicada ao combate às apostas ilegais no país. A reestruturação, formalizada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues ao Ministério da Justiça na sexta-feira (25), já recebeu aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A proposta inclui outras estruturas específicas para investigar a manipulação de resultados esportivos e o uso de ativos virtuais, como criptomoedas, em operações de lavagem de dinheiro. O documento foi enviado no mesmo dia em que Lula assinou medida provisória tornando ilegal a exploração das apostas de quota fixa, conhecidas como bets.

O novo desenho prevê a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos, vinculada à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção. Dentro dessa coordenação funcionariam uma Coordenação de Inteligência Financeira e Lavagem de Dinheiro, uma Divisão de Repressão a Apostas Ilegais e uma Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos. Ao todo, seriam 17 novas unidades administrativas. O impacto financeiro mensal estimado é de R$ 44,9 mil.

Investigações em andamento

A Polícia Federal já investe há três anos em esquemas relacionados a apostas ilegais e manipulação de resultados. De março de 2023 a agosto de 2026, a corporação deflagrou 12 operações que resultaram em ao menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão, abrangendo Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito Federal. As investigações resultaram em pedidos de sequestro de R$ 4,17 bilhões em bens e valores.

Em maio deste ano, a PF criou um grupo temporário para investigar casos de manipulação de resultados esportivos e fraudes em apostas. A nova estrutura representará uma reformulação mais duradoura e sinalizará maior prioridade a essa atuação. A PF também participa de uma força-tarefa da Interpol voltada ao combate à manipulação de resultados esportivos.