247 – Os preços do petróleo registraram forte queda nesta segunda-feira, caminhando em direção ao limite psicológico de US$ 100 por barril e alcançando o nível mais baixo dos últimos 11 dias. A retração do mercado ocorre em um cenário no qual os investidores depositam esperanças em possíveis avanços diplomáticos nas tensões envolvendo o Irã durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em Nova York, além de acompanharem a recuperação parcial nos embarques da Arábia Saudita, informa a agência Reuters.

No início das negociações desta segunda-feira, tanto os futuros do petróleo Brent quanto os do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, atingiram as cotações mais baixas registradas desde 10 de setembro. Às 9h15 (horário de Brasília), o contrato do petróleo Brent para entrega em novembro recuava 2,66%, com perda de US$ 2,76, sendo negociado a US$ 101,1 por barril. Já o contrato do WTI para outubro, com vencimento programado para terça-feira, apresentava queda de 2,93%, ou US$ 2,94, caindo para US$ 97,36 por barril.

O alívio parcial nas cotações reflete os desdobramentos na geopolítica global. Apesar de Washington e Teerã terem trocado novas ameaças no último domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que está aberto a realizar um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que estará presente em Nova York esta semana para os debates do organismo internacional. Paralelamente, o Irã transmitiu suas condições a mediadores para uma eventual retomada das negociações, conforme declaração do chefe de segurança do país, Mohsen Rezaei, em entrevista divulgada no sábado pela emissora Al Jazeera.

Apesar do tom diplomático no radar institucional, os confrontos na região do Oriente Médio seguem ativos. O grupo houthi do Iêmen, apoiado pelo governo iraniano, declarou ter realizado ataques contra a capital saudita, Riade, e contra uma instalação da petrolífera estatal Saudi Aramco localizada na cidade de Yanbu, na região do Mar Vermelho. A investida militar faz parte da estratégia do grupo de isolar a costa do Mar Vermelho das demais áreas mantidas por forças que contam com o suporte da Arábia Saudita.

A crise também mobilizou a diplomacia chinesa. A China solicitou ao Irã que ajude a conter as ações militares dos houthis, após um pedido formal de Riad enviado a Pequim em decorrência das recentes ofensivas na região, revelaram três fontes iranianas familiarizadas com as negociações.

No campo operacional e do fornecimento global de energia, os impactos dos conflitos exigiram manobras logísticas de grande porte por parte dos sauditas. Os sucessivos ataques houthis ao oleoduto Leste-Oeste da Aramco forçaram a petroleira a elevar os volumes de exportação através do Estreito de Ormuz entre este mês e o próximo, compensando a paralisação de parte das operações que eram realizadas pela via de Yanbu.

Mesmo diante do quadro de instabilidade e das interrupções no oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, os fluxos da commodity originados no Oriente Médio têm demonstrado forte resiliência. Em avaliação distribuída ao mercado no último dia 18 de setembro, analistas do banco de investimentos JPMorgan destacaram que o fluxo de petróleo na região se manteve surpreendentemente sólido, ressaltando que a mudança mais expressiva partiu de Riad. Segundo dados obtidos por satélite, o volume de petróleo saudita que atravessou o Estreito de Ormuz alcançou a média de 2,9 milhões de barris por dia nos últimos seis dias de monitoramento — um salto expressivo em relação à média de apenas 700 mil barris diários registrada em agosto.