Paul McCartney relembrou o período traumático logo após o fim dos Beatles, em 1970, comparando o encerramento da banda a perder o único emprego que teve na vida. O cantor contou que recorreu à bebida enquanto tentava descobrir como prosseguir a carreira sem John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.
Durante conversa com o diretor Judd Apatow após exibição especial do documentário "Paul McCartney: Man on the Run", em Los Angeles, o ex-Beatle descreveu aquele momento como um colapso mental. "Eu comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais", afirmou. "Foi muito divertido até deixar de ser."
McCartney reconheceu que o apoio dos filhos e de Linda McCartney, com quem foi casado até a morte dela em 1998, foi fundamental para superar aquela fase. A esposa também o acompanhou na construção de um novo caminho profissional. Em 1971, o músico formou a banda Wings, que permaneceu em atividade até 1981.
Desafio de começar do zero
Formar outro grupo musical trouxe dilemas para McCartney. Ele não queria repetir simplesmente o trabalho realizado com os Beatles e, inicialmente, recusava-se até mesmo a incluir músicas do antigo grupo em seus shows. "Ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo. Mas aí eu tive que descobrir como faria isso e tornar diferente", explicou.
Sobre as desavenças com John Lennon após a separação da banda, McCartney afirmou que o carinho pelo ex-parceiro nunca desapareceu apesar das críticas públicas e provocações trocadas na época. "Eu amava John, amo até hoje e sempre vou amar. Não importava, como não importou, o que ele dissesse ou fizesse, porque eu o conhecia desde os 15 anos", declarou.







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