Bill Gates alertou sobre os perigos da inteligência artificial e defendeu mecanismos obrigatórios de supervisão e segurança para modelos avançados. Em entrevista ao The New York Times, o cofundador da Microsoft afirmou que a tecnologia representa riscos significativos e rejeitou a ideia de que o setor possa depender apenas de autorregulação ou de responsabilização posterior por eventuais danos.

Gates comparou a situação à existência de regras de segurança em outras áreas, como medicamentos, aviação e automóveis. Segundo ele, modelos de código aberto já podem ser adaptados para auxiliar na criação de armas biológicas e ter mecanismos de monitoramento desativados. "Não se pode confiar na indústria para se autorregular aqui. É simplesmente insano", afirmou.

O executivo destacou que a percepção sobre os riscos da inteligência artificial permanece baixa fora do setor, inclusive entre acadêmicos, centros de pesquisa, formuladores de políticas e políticos. Ele questionou se salvaguardas serão exigidas antes de grandes ataques cibernéticos ou biológicos, ou se será necessário esperar por milhões de mortes para que mecanismos obrigatórios de monitoramento sejam adotados.

A posição de Gates contrasta com abordagens mais favoráveis à autorregulação que encontram respaldo em instâncias como o governo americano.