Quem disse que golpes se fazem com tanques nas ruas? Hitler empastelou e submeteu a imprensa alemã. Houve mortes, perseguições e controle. Jornalistas humilhados eram constrangidos a criarem falsas notícias para culpar as minorias judaicas. Mentiam sobre rituais de assassinatos, de crimes sexuais e de fraudes, numa campanha de desmoralização. O método nazista é o de pegar minorias, para se locupletar. Além dos judeus,  no futuro outros grupos seriam alvos do terror nazista.

As notícias falsas também veiculam pelas redes sociais no Brasil recente, como a Mamadeira de Piroca. Em 2018, impulsionamentos tornaram visível um político sombrio. Na reta final da campanha a presidente, a imprensa cobria 24 horas seguidas a “facada”, cortes e recortes de noticiosos. Assim foi eleito o azarão sem nenhum Projeto de país, mas com a ajuda da imprensa hegemônica.

Na posse de Bolsonaro, os jornalistas foram restringidos de andar pelo local e deixados por longas horas sem acesso à água e lanche. Na vigência de seu mandato, diversos órgãos de comunicação como o Grupo Globo, Folha de São Paulo, Grupo Bandeirantes, O Estado de São Paulo, UOL, Metrópoles, Correio Braziliense e outros, evitaram a cobertura presencial. Temiam pela integridade física dos equipamentos, de viaturas e de seus repórteres. Alguns, mesmo com o crachá de imprensa foram atacados por seguidores fanáticos do Capitão.

Em 2019, Bolsonaro disparou: “É uma canalhice o que vocês fazem, TV Globo. Uma canalhice, fazer uma matéria dessas em um horário nobre, colocando sob suspeição que eu poderia ter participado da execução da Marielle Franco.”

Foram relatados centenas de episódios de ataques de Bolsonaro à mídia pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Em 2020, para não responder sobre a troca de comando na Polícia Federal mandou os repórteres “calarem a boca”. E não foi a única vez. Em 2021, usou da mesma truculência com uma repórter, a qual perguntou sobre o uso de máscara na Covid. Do mesmo modo, ameaçou fisicamente um repórter da Globo: “vontade de encher tua boca com uma porrada”. A pergunta era sobre os depósitos bancários do Queiroz à esposa dele, à Michele. Doutra feita, fez insultos, com insinuação de cunho sexual, contra Patrícia C. Mello e, desrespeitosamente, Vera Magalhães foi jogada por ele no rol de “vergonha para o jornalismo”. Para não responder perguntas, Bolsonaro pôs um humorista com a faixa presidencial na porta do palácio. Isso para os repórteres não questionarem o baixo crescimento do PIB em seu governo, de apenas 1,1%.

Atualmente, são 24 horas de comentários na Imprensa sobre pequenos vazamentos, passados secretamente pela “minha fonte”. A alegação de Mendonça, de que a liberação total provocaria tumulto da sessão, não condiz a um evangélico. A acusação de tumultuar o povo foi um dos principais argumentos de Caifás para condenar Jesus, cf. Mc. 14,2.

Não seria mais honesto ter a versão toda, na integralidade e, por que não dizer, global? Informações parciais é terrivelmente ruim ao Estado de Direito, à democracia e ao direito e dever de informar. Os jornalistas sabem como as democracias morrem. Pela boca ou pela mordaça.