247 – Mensagens reunidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean registram o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, dizendo que conversaria com Antonio Rueda e ACM Neto antes de responder ao então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, sobre espaços na administração municipal.

Segundo a revista Veja, o diálogo recuperado pelos investigadores ocorreu em dezembro de 2024, após a reeleição de Fuad, e integra o material da Operação Overclean.

“Rei do Lixo” diz que falaria com Rueda e Neto

De acordo com a reportagem, Fuad enviou ao empresário uma fotografia de uma anotação que mencionava as secretarias municipais de Combate à Fome e de Mobilidade Urbana. A mensagem também indicava que cada uma das pastas contava com duas subsecretarias.

“Escolhe”, disse Fuad a Moura.

Na resposta, o empresário mencionou Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e dirigente da legenda.

“Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”, respondeu Moura.

Na sequência da conversa, o empresário apresentou uma preferência: “pode ser as duas mais educação e abrindo mão do governo?”.

Segundo a reportagem, não há registro da resposta de Fuad Noman a essa mensagem. 

Fuad morreu em março de 2025, meses depois da conversa recuperada pelos investigadores. Com sua morte, o vice-prefeito Álvaro Damião assumiu o comando da Prefeitura de Belo Horizonte.

Educação de BH entra no foco da investigação

A menção à Educação ganha relevância diante de outro elemento da investigação. Desde abril de 2024, a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte era comandada por Bruno Barral. Antes de assumir a pasta na capital mineira, ele havia ocupado o mesmo cargo durante a gestão de ACM Neto na Prefeitura de Salvador.

Barral foi afastado do cargo em abril de 2025 por determinação do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Overclean. Naquela etapa, as suspeitas investigadas estavam relacionadas à passagem de Barral pela administração municipal de Salvador.

Na quinta-feira (17), Barral voltou a ser alvo de mandado de busca e apreensão. De acordo com a reportagem da Veja, as suspeitas desta nova etapa estão relacionadas à sua atuação em Belo Horizonte.

Overclean apura contratos acima de R$ 80 milhões

A décima fase da Operação Overclean foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira para investigar a possível atuação de uma organização criminosa em contratações realizadas no âmbito de uma secretaria municipal de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.

Segundo comunicado oficial da PF, os investigadores apuram indícios de direcionamento de procedimentos destinados ao fornecimento de serviços e materiais didáticos.

A operação cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.

Entre os procedimentos examinados pelos investigadores, pelo menos três deram origem a contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos de contratação também estão sob investigação.

De acordo com a Polícia Federal, os fatos apurados podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.