A crise institucional deflagrada pelas revelações do escândalo do banco Master, cuja ação de seu dono, Daniel Vorcaro, estendeu seus tentáculos por variados setores da institucionalidade brasileira, chegou ao Supremo Tribunal Federal.  

Cabe lembrar que Fernando Haddad disse, quando da liquidação do banco: “Estamos diante do que pode ser a maior fraude do sistema financeiro na história do Brasil”.  

Não era premonição, eram indícios e cochichos sobre a forma pouco republicana pela qual o banqueiro se movimentava. Por isso, apesar de insistentemente solicitado, Haddad se negou peremptoriamente a conceder-lhe audiência. 

Os diálogos de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, pedindo o pagamento de dezenas de milhões de reais para o Dark Horse, desnudaram a proximidade promíscua entre os dois personagens. Assim como não “cola” a mentira disseminada por Flávio de que se tratava de um investimento privado.

Três pontos desmontam essa versão: Flávio é senador, portanto agente público; a suspeita envolve 60 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos; e não houve prestação de contas sobre a transferência do dinheiro para o exterior.

Talvez esteja aí a dificuldade do ministro André Mendonça em abrir o sigilo total das investigações. A desenvoltura de Mendonça com outras investigações faz pairar a suspeita de parcialidade sobre sua atuação. 

No entanto, vale ressaltar que, além de Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes deve explicações ao Brasil. O contrato de 130 milhões do escritório de sua esposa com o Master já era de difícil explicação.  

Com os diálogos vazados entre o ministro e o personagem central do escândalo, tornou-se inexplicável. A cessão de jatinhos, helicópteros e ingressos VIPs à família do ministro demonstra que é incompatível com o serviço público essa vida de “nouveau riche”. Ainda mais quando o servidor é ministro da Corte Suprema. 

Instalada a crise institucional envolvendo o STF, a PGR, a PF e o Congresso Nacional, a menos de 30 dias das eleições, é preciso chamar o feito à ordem. Para romper o fogo de barragem, o fio da suspeita e a dissintonia entre as instituições e abrir caminho para uma reforma de fundo, é preciso coragem e experiência na Presidência da República. Esse nome é Luiz Inácio Lula da Silva.  

O outro candidato, além de neófito em administração de conflitos, está comprometido de corpo inteiro nas falcatruas. E não é de agora. 

Em recente encontro no Palácio do Planalto, com a presença de Fachin, do STF, Gonet, da PGR, Salomão, do STJ, Andrei, da PF, e outras autoridades do sistema de Justiça, Lula foi muito claro sobre a necessidade de se “abrir tudo” e que a Justiça volte a ter, perante os olhos da opinião pública, a sua inteira credibilidade.  

Acenou ainda com a necessidade urgente de uma nova reforma do Poder Judiciário, já que a primeira reforma foi no seu governo, de 2003 a 2007, na gestão do então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. 

Sem Justiça forte, autônoma e transparente não há democracia. Estamos sob o império das leis. Ninguém, por mais poderoso que possa ostentar, está acima dela. Se os de cima não cumprem a lei, por que os de baixo devem cumpri-la?  

Essa crise pode abrir uma janela de oportunidade para a ampliação da democracia brasileira, e nada melhor que a transparência e a luz do sol para que tudo se esclareça, doa a quem doer. 

O Brasil é maior do que essa crise. E só uma liderança comprovada como Lula tem autoridade política para ajudar a aplainar os caminhos. 

A garantia da estabilidade e da previsibilidade é Lula. O outro caminho é o abismo.