A observação de uma conhecida lamentando uma cirurgia na mão, que a forçaria a usar a mão esquerda por dois meses, levou a uma reflexão sobre otimismo e pessimismo. O autor compartilhou sua própria experiência com um problema no nervo ciático, que o fez mancar, e como ele encarou a situação com bom humor, chamando-se de “Claudinho” em referência ao seu apelido “Dinho”.
Essa perspectiva otimista, que ele descreve como um “vício bom”, o acompanha há décadas. No início dos anos 70, como repórter, ele visitou o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) quando a instituição estava começando. Conheceu Raul Juliato, presidente do instituto, que demonstrou um otimismo contagiante, apesar das dificuldades iniciais, como a falta de funcionários e de uma sede própria. Juliato acreditava que o que estava péssimo só podia melhorar, uma filosofia que marcou a visita.
Otimismo na pesquisa e suas consequências
Anos depois, com o Iapar já estabelecido, um pesquisador norte-americano, criador de uma variedade de soja amplamente cultivada no Brasil, visitou os campos experimentais. Ele observou que o uso de inseticida era desnecessário, pois as lagartas ainda não causavam danos significativos e os orifícios nas folhas até permitiam maior insolação, resultando em mais vagens na parte inferior das plantas. Diante da tradução, os pesquisadores ficaram constrangidos, mas Juliato abraçou a observação, agradecendo ao pesquisador por mostrar um novo caminho, afirmando que não estavam errados, apenas ainda não sabiam a melhor forma de fazer.
A sabedoria popular, transmitida pelo “nonno José” do autor, complementa essa visão: ninguém é tão ruim que não tenha algo de bom. Seu avô, corretor de terras, destacava primeiro as vantagens de um imóvel, argumentando que a renda gerada permitiria corrigir os defeitos, e que uma terra sem falhas já teria sido vendida.
Otimismo excessivo e a história
Entretanto, o otimismo, quando em excesso, pode levar a resultados desastrosos. A Batalha de Waterloo é um exemplo clássico. Napoleão tinha grandes chances de vitória, mas seu otimismo o fez adiar a chegada ao campo de batalha devido à chuva. Enquanto isso, seu inimigo, Wellington, acampou antes e motivou suas tropas pessoalmente.
No dia da batalha, o solo molhado dificultou o avanço dos franceses, encalhando canhões e complicando a cavalaria. O excesso de otimismo de Napoleão contribuiu para sua derrota. Essa lição serve como um lembrete de que, embora o otimismo seja uma força poderosa, é essencial ser realista e não subestimar os desafios.
A conclusão do autor é um convite à perseverança: “Seja como for, como não aprendi a andar pra trás, vamos em frente!”.







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