A NFL chega ao Rio de Janeiro neste domingo (27) com uma aposta diferente da que fez em São Paulo. Pela primeira vez, a liga americana leva um jogo para o Maracanã, em um movimento que vai além de lotar um estádio: busca ocupar a cidade para conquistar quem ainda não acompanha futebol americano.

Os dois jogos anteriores da NFL no Brasil aconteceram em São Paulo, em 2024 e 2025, concentrados na Neo Química Arena. Naquela capital, a estratégia foi testar a receptividade de um mercado que já reunia torcedores e consumidores do esporte. Funcionou. Rafael Soares, especialista em marketing esportivo, avalia que "São Paulo já entregou para a NFL uma construção importante de visibilidade da marca e mostrou que existe mercado para o produto. Agora, ir para o Rio amplia esse horizonte".

O símbolo do Maracanã

A escolha do Rio não é apenas sobre o tamanho do estádio. O Maracanã é um dos principais símbolos do futebol brasileiro e coloca a liga dentro de um palco histórico. A estratégia faz parte de uma expansão internacional da NFL que, este ano, terá 9 jogos fora dos Estados Unidos — seis deles em estádios que já receberam partidas de Copa do Mundo, cinco com finais do Mundial, entre eles o Maracanã.

Para o mercado internacional, o Rio oferece o que a liga chama de "foto". Soares explica: "Rio, praia, Maracanã, música, cultura, é uma associação muito forte. Do ponto de vista de marca, isso tem um valor enorme". Ele ressalta ainda que "o Maracanã remete à seleção brasileira, à Copa do Mundo, a grandes momentos do futebol e à própria identidade esportiva do país. Para uma liga americana que quer se conectar com o brasileiro, jogar no Maracanã tem um peso simbólico enorme".

Do evento para o hábito

A questão-chave, porém, é o que acontece depois. A NFL afirma ter mais de 36 milhões de fãs no Brasil, sendo 8 milhões considerados "ávidos". Transformar conhecimento da marca em acompanhamento regular do campeonato é diferente de lotar um estádio ou espalhar ativações por uma cidade. Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo, vê a ocupação da cidade como uma extensão do estádio, capaz de colocar a NFL diante de pessoas que não procurariam espontaneamente o futebol americano. Mas faz ressalva: "A NFL tem uma oportunidade muito grande no Brasil porque já conseguiu criar curiosidade e interesse. E agora precisa transformar isso em hábito de consumo".

Luis Martínez, gerente-geral da NFL no país, resumiu o desafio: "Queremos jogos e mais jogos, mas, sobretudo, temos um compromisso com o Brasil". Mais do que fazer do Rio um grande cenário para um jogo, a liga agora enfrenta o desafio real de transformar a curiosidade provocada pelo evento em uma relação duradoura com o público brasileiro.