O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (28), em Salvador, que o Brasil deve centralizar seus esforços em um novo ciclo de desenvolvimento pautado pela transformação tecnológica e industrial. A prioridade, segundo ele, será dada aos minerais críticos, à produção de chips, à transição energética e à formação de profissionais em áreas estratégicas. As declarações foram feitas a jornalistas antes de um evento no bairro da Liberdade.
Lula argumentou que o país precisa capitalizar suas riquezas naturais e sua capacidade científica para transcender a posição de mero exportador de matérias-primas, buscando expandir a produção nacional de bens com maior valor agregado. O presidente indicou que um próximo mandato deverá aprofundar os investimentos em educação, ciência, tecnologia e no fortalecimento da indústria nacional. Para Lula, o Brasil tem condições de desenvolver uma estratégia própria, sem se engajar em uma competição direta com as maiores potências globais. Ele ressaltou que o país possui “minerais críticos, terras raras, como poucos países do mundo têm”, e que esses recursos serão explorados para impulsionar o desenvolvimento nacional.
Minerais críticos como pilar da nova indústria
A exploração e, crucialmente, o processamento de minerais críticos em território brasileiro são vistos como componentes essenciais da estratégia apresentada por Lula. O objetivo é utilizar esses recursos para edificar cadeias produtivas com maior valor agregado dentro do país. A disponibilidade de minerais críticos e terras raras serviria como base para intensificar a fabricação de produtos tecnológicos e robustecer setores estratégicos da indústria nacional. “A gente vai querer produzir carro, bateria, fazer chip, a gente vai querer celular, e a gente quer fazer a revolução energética que o Brasil pode fazer”, declarou o presidente, ligando a política mineral ao fortalecimento industrial e à transição energética.
A educação também foi destacada por Lula como um pré-requisito indispensável para que o Brasil converta suas riquezas minerais em conhecimento, tecnologia e produtos industrializados. A estratégia governamental prevê investimentos em formação superior focada em áreas como matemática, engenharia e inteligência artificial, consideradas vitais para a inovação e as novas demandas tecnológicas. O presidente enfatizou que o aproveitamento dos recursos naturais deve caminhar lado a lado com a formação de profissionais especializados, visando criar capacidade nacional para dominar etapas das cadeias tecnológicas e ampliar a produção de bens de maior valor agregado.
Expansão de datacenters e o futuro da exportação
Lula mencionou ainda o avanço do Redata, uma iniciativa para atrair investimentos na instalação de datacenters no Brasil, interligando essa expansão à estratégia mais ampla de desenvolvimento tecnológico. Ele também fez referência a um investimento de R$ 500 bilhões destinado a elevar o patamar da economia brasileira. A expansão dos datacenters complementa a meta de ampliar a produção de componentes tecnológicos e criar condições para o país participar de segmentos econômicos onde o conhecimento e a inovação representam uma parte significativa do valor produzido.
Ao delinear sua visão para os próximos anos, Lula contrastou o atual peso das commodities nas exportações brasileiras com a possibilidade de o país aumentar sua participação em setores intensivos em conhecimento e tecnologia. “Na hora que a gente dominar a tecnologia toda, a gente não vai mais exportar apenas soja, milho, minerais. A gente vai exportar conhecimento, inteligência”, concluiu o presidente.






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