Christa Pike, 50, sobreviveu a duas injeções letais durante uma execução na noite de quarta-feira (30) na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, no Tennessee, nos Estados Unidos. A detenção foi transferida para um hospital em estado crítico após a tentativa fracassada. Foi a segunda execução malsucedida na unidade prisional este ano.

Pike foi condenada à morte na década de 1990 pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos. Ela tinha apenas 18 anos quando cometeu o crime, em janeiro de 1995. Na ocasião, junto com seu namorado de 17 anos, Tadaryl Shipp, e uma terceira pessoa, atraíram Slemmer para uma área de mata em Knoxville, onde a torturaram e mataram. Ambos confessaram o crime e foram condenados por homicídio em primeiro grau, mas apenas Pike recebeu a sentença de morte, pois Shipp foi considerado muito jovem para receber a punição capital.

O Tennessee adotou em 2024 um protocolo de injeção letal com pentobarbital, um potente barbitúrico. Funcionários penitenciários injetaram duas seringas em Pike, segundo documento judicial apresentado por seus advogados, causando-lhe o que chamaram de "agonia desnecessária". Os advogados reforçaram o pedido para que sua pena seja transformada em prisão perpétua e classificaram a execução como "tortura química".

Investigação e suspensão de execuções

O governador do Tennessee, Bill Lee, que havia rejeitado na segunda-feira (28) o pedido de clemência de Pike, determinou a suspensão de todas as execuções previstas no estado até o fim do ano. Lee também ordenou uma investigação independente sobre a tentativa fracassada. "Não há ninguém que quisesse que o que aconteceu na noite passada acontecesse. É uma tragédia, e é profundamente perturbador para mim que isso tenha ocorrido neste estado", disse o governador a jornalistas.

Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de dois séculos. O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o caso demonstra que os EUA deveriam abolir a pena de morte, como fizeram a maioria dos países do mundo. "O sofrimento prolongado — físico e mental — decorrente de múltiplas tentativas fracassadas de execução é abominável e cruel", afirmou Türk em comunicado.