A Medida Provisória (MP) que regulamenta as casas de apostas, elaborada pelo governo Lula, deverá ser implementada com efeito imediato, sem oferecer prazo para adaptação às empresas atualmente autorizadas ou aos contratos de patrocínio vigentes. Embora a criação de um período de transição para acordos já firmados tenha sido discutida em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta não foi adiante dentro do governo.

Essa decisão terá um impacto direto em setores que se tornaram dependentes da receita gerada pelas plataformas de apostas. Veículos de comunicação e clubes de futebol são alguns dos mais afetados. Conforme levantamento interno do governo, as bets investiriam cerca de R$ 2,3 bilhões em publicidade até 2026. A eventual perda dessa fonte de renda pode levar a demissões em empresas de mídia.

Impacto no esporte e na mídia

No futebol, o impacto também é considerado significativo. O mesmo levantamento governamental projeta que o volume de patrocínios de casas de apostas aos clubes atinja R$ 1,4 bilhão. Este valor corresponderia, em média, a 20% da folha de pagamento dos maiores times do país.

Houve divergências entre membros do governo sobre a maneira de implementar a medida. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, apresentaram posições distintas ao presidente Lula, justamente em relação aos efeitos da MP sobre os setores que recebem recursos das bets, como grupos de mídia e clubes de futebol.

Apesar da previsão de entrada em vigor imediata, o governo ainda analisa alternativas para mitigar a perda de arrecadação dos clubes. Entre as possibilidades estudadas estão a oferta de linhas de crédito com juros mais baixos e a renegociação de dívidas, buscando minimizar os efeitos financeiros adversos da medida.