A morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, atingido por 27 disparos durante uma abordagem policial em Moema, na zona sul de São Paulo, levou quase seis horas para ser comunicada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O órgão é responsável por investigar mortes de civis praticadas por policiais militares em serviço.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os quatro policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar a conduta dos agentes. A SSP não se manifestou sobre a demora na comunicação ao DHPP.
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais afirmaram que confundiram o aparelho celular que Gustavo segurava com uma arma. O telefone foi encontrado pelos peritos perto dos pés da vítima. A Polícia Civil inicialmente registrou o caso como morte decorrente de resistência, considerando-o legítima defesa.
O rapaz foi baleado por volta das 2h45. Policiais militares informaram a ocorrência no 27º DP (Campo Belo) às 3h30. O Departamento de Homicídios, na região central de São Paulo, foi comunicado apenas às 8h40. O corpo de Gustavo permaneceu na Alameda dos Guaramomis por cerca de oito horas, até ser removido pelo Instituto Médico-Legal (IML) às 11h04.
Quatro viaturas e oito policiais participaram da ação. Quatro agentes efetuaram 45 disparos no total, atingindo diversas partes do corpo de Gustavo. Uma viatura da PM também foi atingida duas vezes no capô. Familiares relataram à polícia que Gustavo vivia com a mãe e as irmãs, tomava medicamentos para depressão desde o ano passado e não tinha antecedentes criminais.
As armas dos policiais foram apreendidas e as imagens das câmeras corporais serão analisadas durante as investigações. A SSP declarou que "não tolera desvios de conduta dos seus agentes e, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor".
Os policiais militares envolvidos pertencem ao 12º Batalhão de Polícia Militar. Em 2024, dois policiais desse mesmo batalhão mataram o estudante de medicina Marco Aurélio Cadenas Acosta, de 22 anos, na Vila Mariana, que também estava desarmado na ocasião.







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