Uma menina de 10 anos, que estava desaparecida havia 12 dias após ser sequestrada pelo próprio pai no litoral de São Paulo, foi resgatada depois de conseguir pedir ajuda a um policial. A criança alertou um dos agentes discretamente, piscando um dos olhos, durante uma abordagem na madrugada de quarta-feira.

O sequestro ocorreu em 20 de setembro, quando o pai agrediu a ex-mulher em um hotel, abandonou a vítima no local e levou a filha. Doze dias depois do desaparecimento, o suspeito entrou em contato com a ex-companheira para pedir dinheiro.

Policiais militares retornavam de uma ocorrência quando notaram um homem caminhando com uma criança em uma rua de Praia Grande, no litoral paulista. A situação chamou a atenção dos agentes devido ao horário e à ausência de estabelecimentos comerciais abertos nas proximidades. "Devido ao horário, ao tempo, ao dia da semana, não tinha nenhum comércio aberto, não tinha nada aberto, eles acharam estranha aquela atitude e resolveram verificar", explicou um tenente.

Ao se aproximarem, a menina piscou para um dos policiais. O gesto despertou a desconfiança dos militares, que decidiram abordar o homem. Durante a abordagem, o suspeito tentou convencer os policiais de que a mãe da menina havia morrido. A criança, no entanto, continuou piscando para o agente, indicando que a história era falsa. Enquanto os policiais verificavam a situação, o homem conseguiu fugir. No local, a menina relatou ter sido sequestrada e que sua mãe já havia registrado uma denúncia de desaparecimento. O suspeito, que já era procurado, foi localizado e preso posteriormente.

A mãe da menina contou que, após o resgate, inicialmente pensou que a ligação dos policiais fosse uma brincadeira. Ela só acreditou na notícia após ver a filha em uma videochamada. Em entrevista, ela descreveu o policial responsável pelo resgate como um herói, afirmando: “Ele foi um anjo na minha vida. Tenho muito pelo que agradecer. Ele me devolveu a vida, de verdade. Estava acabada, não dormia.”

Durante os 12 dias em que esteve desaparecida, a menina foi ameaçada de morte pelo pai caso contasse a alguém sobre a situação. Os dois passaram por diferentes cidades e, nos cinco dias anteriores ao resgate, viviam em situação de rua em Praia Grande.