O Starship, maior foguete do mundo, completou seu primeiro voo orbital nesta segunda-feira (28) com lançamento bem-sucedido de Starbase, no Texas. A SpaceX lançou o veículo às 9h48 (horário de Brasília) e conseguiu inserir 26 satélites Starlink V3 em órbita, em uma missão que marcou o décimo quarto voo integrado dos dois estágios do foguete, mas a primeira tentativa de alcançar velocidade orbital.
Por questões de segurança, os engenheiros adotaram um perfil de voo conservador. Após a separação entre o primeiro estágio, chamado Super-Heavy, e o segundo estágio (o próprio Starship), a trajetória inicial permaneceu suborbital — com velocidade ligeiramente inferior à necessária para manter-se em órbita. Cerca de 25 minutos após o lançamento, o controle da missão reacendeu brevemente os motores do Starship para fornecer o impulso final necessário para a inserção orbital. Durante a ascensão, um dos seis motores se apagou, levando os engenheiros a realizar uma verificação extensiva antes de autorizar a manobra crítica.
Com a manobra bem-sucedida, o Starship se estabeleceu em uma órbita baixa, a cerca de 275 quilômetros acima da superfície terrestre, onde liberou os satélites Starlink V3. O Super-Heavy, que perdeu um de seus 33 motores durante a ascensão, completou uma manobra de retorno e efetuou pouso suave na água. O Starship, por sua vez, realizou uma manobra final após uma única volta ao redor da Terra, reativando um motor para desacelerar e retornar à trajetória suborbital, pousando suavemente no oceano Pacífico perto do Havaí.
Próximos passos
Originalmente, o plano previa que o Starship completasse meia dúzia de voltas ao redor da Terra antes de descer sobre o oceano Pacífico, próximo à costa do Chile. A empresa antecipou o retorno para manter a abordagem conservadora e reduzir riscos, ainda que todos os objetivos da missão tenham sido atingidos. A SpaceX projeta que o próximo lançamento já envolva uma tentativa de recuperar e reutilizar os dois estágios.
No longo prazo, a empresa visa reutilizar frequentemente seus Starships para acelerar a frequência de voos, superior até agora apenas à do Falcon 9, seu foguete atual. A alta frequência de lançamentos, previstos não apenas de Starbase, mas também de Cabo Canaveral, na Flórida, e futuramente de um novo centro na Louisiana, é necessária para qualificar o veículo ao serviço da Nasa. A agência espacial pretende usar o Starship na missão Artemis 4, marcada para 2028, que deve incluir a primeira alunissagem tripulada do programa. Antes disso, a SpaceX precisa demonstrar a capacidade de voos frequentes, realizar reabastecimentos em órbita e proceder com uma alunissagem segura sem tripulação nos próximos dois anos.







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