A cidade de Londrina (PR) direcionou 47% de seus votos válidos para deputado federal, o equivalente a 128 mil votos, a candidatos de outros municípios nas eleições de 2026. Apenas 8,5 mil votos foram para legendas. Esse cenário resultou na eleição de apenas um deputado federal da cidade, Marcelo Belinati (PP), o que gerou debates sobre a diminuição da representatividade local no Congresso Nacional. Entidades do setor produtivo consideram buscar parlamentares de outras regiões que receberam votos londrinenses para apresentar suas demandas.

Entre os candidatos de fora que receberam expressiva votação em Londrina, destacam-se Jeffrey Chiquini (Novo), eleito deputado federal com 425.399 votos no Paraná e 26.161 votos em Londrina; Guilherme Kilter (Novo), com 11.500 votos na cidade; Sargento Fahur (PL), com 11.172 votos; Ana Júlia (PT), com 8.056 votos; e Carol Dartora (PT), com 7.874 votos. O candidato mais votado em Londrina foi Marcelo Belinati, que obteve 70.282 votos, correspondendo a 25,05% dos votos válidos para deputado federal no município.

Dispersão dos votos e suas consequências

Os dados da Justiça Eleitoral revelam uma grande pulverização dos votos em Londrina, com 366 candidatos de outros municípios recebendo ao menos um voto na cidade. Esse panorama contribui para a perda de espaço do segundo maior colégio eleitoral do Paraná, que contará com apenas um representante entre os 30 deputados federais do estado.

Nilso Paulo da Silva, professor e especialista em direito eleitoral, observa que a dispersão do voto em Londrina já havia sido notada em 2022. Naquele pleito, a cidade elegeu três deputados federais: Filipe Barros (PL), Luísa Canziani (PSD à época) e Diego Garcia (Republicanos à época). Durante a atual legislatura, Luiz Carlos Hauly (Podemos) assumiu a vaga de Deltan Dallagnol, que perdeu o mandato, e Marco Brasil (então no PP) e Lenir de Assis (PT) atuaram como suplentes.

Para Silva, o resultado de 2026 não indica falta de eleitores, já que Londrina possuía quase 400 mil eleitores aptos. Ele sugere que o eleitor priorizou um posicionamento “mais ideológico do que resultado em trabalho”. O especialista aponta que os eleitos possuem forte posicionamento ideológico e comunicação direta, especialmente pelas redes sociais, o que teria influenciado a escolha dos votantes. Silva ressalta a falta de concentração de votos em candidatos da região de Londrina, mencionando que seis dos dez mais votados na cidade eram de fora, o que “trouxe esse dano”.

O professor enfatiza a necessidade de as lideranças londrinenses discutirem, nos próximos anos, estratégias para qualificar os quadros políticos locais, reduzir o número de candidaturas da cidade e dialogar com os parlamentares que obtiveram votação expressiva em Londrina. A falta de representatividade, segundo ele, impacta diretamente a gestão municipal, pois Marcelo Belinati, o único representante federal eleito pela cidade, terá que compartilhar o acesso a emendas e projetos com outros municípios, atuando como um deputado regional.