A Prefeitura de Londrina formalizou o bloqueio de parte das despesas e limitou os gastos com horas extras de servidores nos próximos 120 dias. As medidas, estabelecidas por meio de um decreto, visam reduzir um déficit de R$ 205 milhões projetado para 2026, que é resultado de um desequilíbrio orçamentário e da frustração de receitas.

A administração municipal determinou o bloqueio de 30% do saldo ainda não empenhado de despesas correntes, que são custeadas com recursos livres. Gastos obrigatórios nas áreas de saúde e educação foram preservados.

O decreto também impõe limites mensais para as horas extras de cada órgão, com um valor total de R$ 4,4 milhões por mês. Além disso, prevê a revisão de contratos, restrição de viagens e eventos, e a otimização do uso de veículos e imóveis alugados. A prefeitura afirma que as ações não comprometerão os serviços essenciais e que exceções poderão justificar gastos acima dos limites estabelecidos.

Para acompanhar o controle orçamentário, foi criado um índice que monitora a relação entre despesas e receitas correntes. A meta é que esse índice seja reduzido para menos de 95% até o final deste ano.

As medidas geraram manifestação do Sindserv, que atribui o volume de horas extras à carência de profissionais na estrutura municipal. O sindicato aponta um déficit de mais de três mil servidores em Londrina e defende a recomposição dos quadros para evitar a sobrecarga de trabalho e prejuízos no atendimento à população. O Observatório de Gestão Pública de Londrina questionou a administração sobre a falta de antecipação do ajuste, dado que os riscos orçamentários, como a insuficiência de recursos para o transporte coletivo e a redução da alíquota do IPVA, já eram conhecidos.