A relação entre os personagens Adriana e Pedro ganhou uma sintonia notável em "Quem Ama Cuida". Interpretados por Leticia Colin e Chay Suede, os dois se tornaram um dos casais que mais despertam interesse entre o público da novela das nove. Porém, para a atriz, o que aparece na tela não surge por acaso, mas resulta de um trabalho deliberado de construção.
Em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem, Leticia explicou que a parceria com Chay se baseia em confiança, liberdade e disposição para se surpreender durante as gravações. Ela rejeita a ideia de que a sintonia entre dois atores seja apenas uma questão de afinidade natural. "Química não é uma coisa mágica ou dada. Não é sorte, destino ou afinidade gratuita. Ela é construída. Vem dessa abertura que se tem para ser atravessado pelo outro, ter coragem de enxergar e ser enxergado, admirar e ser admirado, não ter medo dos sentimentos dos personagens", afirma.
Segundo a atriz, a confiança permite que os dois se arrisquem mais durante as cenas. Um ator pode propor algo inesperado sem medo de comprometer o trabalho, sabendo que o parceiro estará disposto a acompanhar. Leticia compara essa dinâmica a um jogo de vôlei: "dá um passe ousado porque sabe que a pessoa vai correr até o final e vai devolver".
Liberdade na gravação
A dupla também encontrou uma maneira de escapar da rigidez que costuma acompanhar uma novela das nove. Leticia e Chay conversam sobre a necessidade de não tratar cada cena como algo completamente engessado, sem espaço para criatividade. Parte dessa liberdade vem da direção artística de Amora Mautner, que estimula um ambiente em que os atores buscam novas possibilidades para os personagens, não apenas reproduzem o que está escrito.
A parceria também é marcada por uma afinidade que vai além da relação entre os personagens. "É raro encontrar isso num parceiro, uma afinidade tão amistosa e de tanta irreverência com o próprio trabalho", afirma Leticia. Para a atriz, o principal está no processo de construção da cena e na confiança de que o outro entrará no jogo: "pegar uma coisa que pode ser automatizada e fazê-la extraordinária, colocar o frisson da descoberta no momento de dizer algo trivial".







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