As lavanderias de autosserviço estão se consolidando como uma opção prática para a rotina de muitos consumidores, atraindo também o interesse de investidores. Em âmbito nacional, o número de franquias do segmento saltou de 2.201 em 2023 para 3.063 no primeiro semestre de 2026, um aumento de 39,2%. Em Londrina, nove marcas associadas à ABF (Associação Brasileira de Franchising) operam com 24 unidades, embora existam outras lavanderias não filiadas na cidade.
Leonardo dos Anjos, diretor regional da ABF no Sul, destaca a recorrência do serviço como um dos principais atrativos. Segundo ele, 38 marcas de lavanderias atuam no mercado de franquias brasileiro, sendo 14 delas associadas à entidade. O cuidado com as roupas é parte essencial da rotina familiar, e as lavanderias self-service atendem à busca por praticidade e economia de tempo, oferecendo formatos que se adaptam às diversas necessidades dos clientes.
Praticidade e economia impulsionam a demanda
Celso Ancelmo de Lima, funcionário público de 40 anos, é um exemplo da mudança de hábitos. Morador de apartamento e vivendo sozinho, ele utiliza uma lavanderia self-service há cerca de um ano, gastando aproximadamente R$ 150 por mês. Para ele, a praticidade de ter as roupas lavadas e secas compensa o custo de adquirir e manter uma máquina em casa, especialmente em um apartamento pequeno.
A empresária Paula Roberta Mariani, proprietária de unidades da Lavô em Londrina, observa um aumento médio de 20% na demanda em dias chuvosos. Ela relata que suas lojas funcionam 24 horas para atender a diversas faixas de renda e horários. Mariani, que se inspirou em lavanderias na Europa e nos EUA, prevê que o mercado brasileiro ainda tem grande potencial de crescimento, estimando que o uso de lavanderias, atualmente entre 4% e 5%, pode chegar a 10% da população até o fim da década. A empresária também aponta a crescente dificuldade de contratar mão de obra como um fator favorável ao modelo de autosserviço.
Investimento e retorno no setor de franquias
O diretor regional da ABF, Leonardo dos Anjos, informa que o investimento em uma franquia de lavanderia varia amplamente, de aproximadamente R$ 60 mil a mais de R$ 600 mil, dependendo da marca e do modelo de operação. O prazo médio de retorno do investimento é estimado entre 18 e 36 meses, mas esse período pode ser influenciado pelo investimento inicial, localização e gestão do negócio.
Isabela de Andrade Nobrega Balestri, proprietária da unidade Bonasecco em Londrina, investiu entre R$ 180 mil e R$ 200 mil em sua lavanderia, inaugurada em fevereiro de 2025. A unidade já se sustenta e apresenta lucratividade, embora o lucro ainda não tenha coberto o investimento inicial. Balestri acredita que Londrina ainda oferece espaço para novas unidades, mas enfatiza a necessidade de planejamento rigoroso, infraestrutura adequada e uma boa escolha de localização.
A expansão do setor, segundo Balestri, está ligada à redução do espaço em apartamentos e ao custo dos eletrodomésticos. Ela destaca que em sua unidade, em dias normais, 60% do movimento é para lavagem e 40% para secagem. Em dias de chuva, a proporção se iguala para ambos os serviços, o que pode gerar filas nos horários de pico devido ao maior tempo de secagem.
Além da operação mais enxuta e horários flexíveis, o sistema de franquias oferece treinamento, padronização de processos e suporte ao empreendedor. No entanto, Leonardo dos Anjos alerta para a importância da escolha do ponto, manutenção dos equipamentos e controle de custos com água, energia, aluguel e insumos para o sucesso do empreendimento.







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