A juíza sul-africana Navi Pillay, que atuou na defesa de Nelson Mandela e é especialista em crimes internacionais, foi anunciada nesta sexta-feira (9) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz. A escolha, segundo o júri, reconhece seus esforços em prol do direito internacional, em um momento em que este sistema se encontra “sob ataque”.
Aos 85 anos, Pillay dedicou sua carreira ao combate de atrocidades e violações de direitos humanos, abrangendo desde o genocídio de Ruanda até conflitos no Oriente Médio. Ela presidiu uma comissão de investigação independente da ONU que, no ano passado, acusou Israel de genocídio em sua campanha militar mais recente em Gaza.
Reações ao prêmio
A concessão do prêmio a Pillay, que simboliza o sistema de justiça internacional, acontece em meio a críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a esse mesmo sistema. Horas após o anúncio, Washington impôs sanções ao Tribunal Penal Internacional (TPI), com o secretário de Estado, Marco Rubio, classificando o tribunal como “desonesto” e prometendo proibir transações com a instituição. O TPI, por sua vez, rechaçou as sanções, afirmando que “a história julgará este momento”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou Pillay de ser “sectária” e de “demonizar os judeus”. O Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou o Comitê Nobel por legitimar o “ódio” contra seu país, chegando a publicar que “Joseph Goebbels sem dúvida estará aplaudindo do inferno”. Em contraste, a Autoridade Palestina elogiou o trabalho de Pillay, destacando sua busca pela verdade e defesa dos oprimidos na África do Sul e globalmente, incluindo a Palestina.
Legado e reconhecimento
Nascida na África do Sul durante o Apartheid e de origem indiana, Navi Pillay se tornou advogada e foi fundamental na defesa de ativistas anti-Apartheid, como Nelson Mandela, além de garantir direitos para presos políticos. Sua trajetória a levou ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, entre 2008 e 2014.
Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Nobel Norueguês, afirmou que Pillay foi crucial para assegurar a perseguição de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, elogiando sua “bússola moral”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, complementou que o prêmio homenageia todos que trabalham para defender o direito internacional. Em uma audiência no Tribunal de Nuremberg, a jurista dedicou o prêmio aos sobreviventes de crimes internacionais, reiterando a defesa do sistema de justiça internacional em um período de “ataques políticos” e “degradação”, especialmente contra o TPI.
Atualmente, Pillay atua como juíza na Corte Internacional de Justiça em um caso de suposto genocídio em Mianmar. Antes disso, ela fez parte da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU, que concluiu sobre o genocídio em Gaza. O Comitê Nobel distanciou-se das conclusões desse relatório, que Israel qualificou de “tendencioso e mentiroso”, mas reafirmou a confiança no profissionalismo e integridade da comissão.
O prêmio, que inclui uma medalha de ouro, um diploma e 1,2 milhão de dólares (equivalente a 6,01 milhões de reais), será entregue em 10 de dezembro em Oslo, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, criador da condecoração.







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