A reta final da eleição presidencial é marcada pela crescente polarização em torno de dois temas de grande impacto: a regulamentação das apostas online e as questões religiosas. As decisões e debates sobre esses assuntos buscam influenciar o eleitorado, que se prepara para ir às urnas em 4 de outubro.

Ontem, o presidente Lula assinou uma medida provisória que visa encerrar completamente as atividades das bets no Brasil. O setor de apostas online movimenta cerca de 100 bilhões de reais anuais, conforme estimativas da entidade das operadoras, e gera aproximadamente 15 mil empregos diretos. Além disso, o segmento possui fortes laços com grandes clubes de futebol do país. A estimativa é que cerca de 30 milhões de pessoas estejam envolvidas com jogos e apostas a dinheiro. A justificativa para o fim das bets apresentada pelo governo é conter o endividamento das famílias, que estaria aumentando devido à saída de uma parcela da economia popular para o setor.

Reações e impacto eleitoral

A decisão do governo tem gerado forte reação das empresas de apostas, que se consideram vítimas de quebra de contratos. Os efeitos eleitorais da medida ainda são incertos, mas o tema já demonstra ter relevância para a definição do voto. Simultaneamente, a questão religiosa emergiu com ainda mais força na campanha eleitoral.

A partir de manifestações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nas redes sociais em defesa da Igreja Católica, o debate evoluiu, remetendo a um projeto de lei bolsonarista anterior que propunha a cassação do status de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Este cenário tem provocado uma nova onda de reflexão sobre a divisão e o ódio religioso no país. Nossa Senhora Aparecida, com sua grande representatividade entre os católicos, é um símbolo frequentemente alvo de ataques por parte de correntes mais radicais de religiões pentecostais, genericamente chamadas de evangélicas. O bolsonarismo, conforme o texto, encontra nessas correntes uma de suas bases mais sólidas de apoio.

O temor em relação ao poder destrutivo de grupos bolsonaristas contra símbolos da cultura brasileira não se restringe aos católicos, abrangendo também democratas em geral. A campanha de ódio contra a imagem de Nossa Senhora, que, segundo o texto, já era formulada em alas mais perigosas do bolsonarismo, intensifica-se neste contexto. Anteriormente focada em temas como corrupção, envolvendo o banco Master, e a crise do STF, a disputa presidencial agora incorpora jogo e religião, elevando a tensão sobre o pleito, considerado o mais dramático desde a redemocratização do país.