Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e candidato à presidência, afirmou que, em caso de vitória no segundo turno das eleições contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, será libertado e participará da cerimônia de posse. Jair Bolsonaro, que presidiu o país de 2019 a 2022, cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, após ser condenado no ano passado, mas sempre defendeu sua inocência. Ele está em prisão domiciliar em Brasília, ao lado da esposa Michelle, também senadora, e da filha Laura, devido a problemas de saúde recorrentes.
Revanche política e anistia
A vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno impulsionou o movimento conservador, que busca uma revanche política para o ex-presidente, que alega ser alvo de perseguição judicial e política. Jair Bolsonaro, apesar de ausente da campanha, continua sendo uma figura central para a direita e extrema direita. Flávio Bolsonaro, de 45 anos, garantiu que o pai será libertado e o acompanhará na posse em 5 de janeiro, caso seja eleito, reforçando a certeza de sua vitória. No primeiro turno, o senador obteve 47% dos votos, superando Lula, que alcançou 45%.
Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio, destacou que o ex-presidente “precisa de liberdade para ir para os braços do povo”, mas ressaltou que ele não busca o poder ou cargos. A família Bolsonaro considera o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como um adversário, responsável pelo julgamento e condenação de Jair Bolsonaro em 2025 por liderar uma organização criminosa. Os advogados do ex-presidente aguardam a análise de um pedido para anular a condenação, alegando abusos e erros processuais de Moraes. O ministro Kassio Nunes Marques deve levar o pedido ao plenário do STF após o segundo turno, mas o trâmite pode se estender para além da posse presidencial.
Indulto e anistia parlamentar
Como uma das primeiras medidas de governo, Flávio Bolsonaro prometeu conceder indulto ao pai. Embora um indulto possa ser assinado logo após a posse, especialistas em direito, como Thiago Bottino, professor da Fundação Getulio Vargas, explicam que diversos requisitos burocráticos impediriam sua efetivação imediata. Além do indulto, a direita discute a possibilidade de uma anistia parlamentar para o ex-presidente e para centenas de apoiadores condenados pela invasão aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Essa alternativa ganha força com o aumento de legisladores conservadores no Congresso, após as eleições recentes.
A anistia parlamentar, diferente do indulto, restauraria os direitos políticos de Bolsonaro, permitindo que ele se candidatasse novamente a cargos eletivos. Flávio Bolsonaro se apresenta como uma figura mais moderada que seu pai, conhecido por declarações polêmicas, negacionismo climático e defesa da ditadura militar. Rogério Marinho, chefe da campanha bolsonarista, reconhece que, embora o sobrenome Bolsonaro garanta apoio da direita, também gera rejeição em eleitores independentes. No entanto, ele argumenta que Flávio “defende o legado do seu pai, mas é uma pessoa diferente (...) tem uma capacidade maior de negociação”.
Analistas, como Hélio Schwartsman, colunista da Folha de S. Paulo, observam que governos que retornam ao poder após uma derrota podem exibir um tom de revanche, exemplificado pelas reeleições de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que resultaram em gestões mais “radicais” e a liberação de “ressentimentos acumulados”. Os relatórios médicos mais recentes indicam que Jair Bolsonaro está “estável”, apesar de sua esposa Michelle ter mencionado que as eleições o deixaram “um pouquinho ansioso”.







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