A eficácia dos sistemas de videomonitoramento na segurança pública não se mede apenas pela quantidade de câmeras. Análises da LCA Consultoria revelam que plataformas do Paraná e de Goiás, que utilizam inteligência artificial e cruzamento de dados, mostram desempenho superior por câmera em comparação ao Smart Sampa, programa da Prefeitura de São Paulo.

Os levantamentos compararam o Smart Sampa com o Olho Vivo, do Paraná, e o IA Contra o Crime, de Goiás. Os resultados apontam discrepâncias significativas em indicadores como prisões, localização de foragidos e recuperação de veículos.

Sistemas com IA demonstram maior eficiência

No Paraná, o Olho Vivo opera com 972 câmeras próprias, o que representa aproximadamente 5% do total de equipamentos considerados na comparação com São Paulo. Apesar disso, o estudo indica que o programa paranaense alcança uma eficiência pelo menos 21 vezes maior na realização de prisões por câmera instalada. Na recuperação de veículos, a diferença chega a 108 vezes a favor do sistema do Paraná, quando analisada proporcionalmente à quantidade de câmeras.

A principal razão para essa diferença de desempenho reside na tecnologia de análise das imagens. Enquanto o Smart Sampa foca em reconhecimento facial e de placas, o Olho Vivo permite combinar diversas bases de dados e pesquisar características descritas por vítimas ou testemunhas. O sistema paranaense, desenvolvido pela startup Pax em parceria com o Google, possibilita localizar veículos por cor, modelo aproximado ou outros detalhes, sem depender da identificação de uma placa ou da nitidez de uma imagem facial.

Essa capacidade foi crucial na investigação de um homicídio em Paranaguá (PR), onde a única informação inicial era uma lanterna traseira queimada no veículo do autor. Cruzando imagens e o horário do crime, investigadores identificaram um Fiat Línea prata com placa clonada, resultando na recuperação do carro e na prisão de duas pessoas em 24 horas.

Goiás reforça o padrão de eficácia da IA

Outro estudo da LCA Consultoria avaliou o IA Contra o Crime, sistema de Goiás também operado com tecnologia da Pax. Os resultados seguem o padrão observado no Paraná. Com 577 câmeras próprias, cerca de 3% do universo de equipamentos comparado a São Paulo, a plataforma goiana apresenta eficiência 38 vezes maior por câmera na localização de foragidos. Para prisões em flagrante, a diferença chega a 69 vezes, e na recuperação de veículos, o desempenho é 435 vezes superior por equipamento em relação ao Smart Sampa.

Os dados sugerem que uma rede com menos equipamentos pode gerar resultados proporcionalmente mais altos quando as imagens são integradas a sistemas capazes de interpretar características, correlacionar informações e processar grandes volumes de registros.

Impacto na discussão sobre segurança pública

A comparação entre os sistemas ganha relevância política em ano eleitoral, com a segurança pública sendo tema central. Embora a ampliação do número de câmeras seja frequentemente defendida por candidatos, os levantamentos da LCA introduzem um novo elemento: a capacidade tecnológica por trás de cada equipamento. A avaliação de programas de videomonitoramento passa a depender não só da quantidade de câmeras, mas também de indicadores como prisões, foragidos encontrados e veículos recuperados, em relação ao tamanho da rede.

Os resultados do Paraná e de Goiás indicam que software, integração de bases de dados e ferramentas de inteligência artificial são fatores determinantes para a efetividade dos investimentos. O desafio, portanto, vai além de instalar mais equipamentos, focando em transformar as imagens captadas em informações úteis e rapidamente acessíveis às forças de segurança.