Parlamentares de direita com grande número de seguidores no Instagram obtiveram votações recordes nas eleições para os Legislativos federal e estaduais, em nove estados. Nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), Eduarda Campopiano (PL-SP), Ana Campagnolo (PL-SC) e Bruno Engler (PL-MG) lideraram os votos.
Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato se destacaram ao se tornarem os deputados federais mais votados da história, ambos com mais de 3 milhões de votos. Nikolas tem 22,6 milhões de seguidores e Pavanato, 5,3 milhões. Outros deputados federais que quebraram recordes em seus estados foram Júlia Zanatta (PL-SC), Lucas Polese (PL-ES), André Fernandes (PL-CE), Delegado Caveira (PL-PA), Jeffrey Chiquini (Novo-PR), Mauricio Marcon (PL-RS) e Lucio Mosquini (PL-RO).
No Legislativo estadual, Eduarda Campopiano (PL-SP) foi a deputada mais votada do país, com mais de 1,955 milhão de votos, aproximando-se do recorde de Janaína Paschoal em 2018. Ana Campagnolo (PL-SC) e Bruno Engler (PL-MG) também alcançaram votações inéditas em suas respectivas eleições estaduais.
A socióloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da Universidade de Dublin, destacou que o sucesso desses parlamentares já era esperado, pois todos eles são influenciadores digitais, com mais de 200 mil seguidores. Segundo a pesquisadora, as plataformas da Meta, como Instagram, Facebook e WhatsApp, redefiniram o jogo eleitoral, priorizando a visibilidade nas redes sociais.
Pinheiro-Machado explica que, nesse cenário, os parlamentares focam sua atuação em construir reputação e se mostrar nas redes, o que se converte em sucesso eleitoral. Para ela, é possível eleger-se apenas com base em redes sociais, mesmo sem uma base política tradicional. O caso de Eduarda Campopiano, que construiu sua carreira política por meio de podcasts e publicações no Instagram, é um exemplo dessa tendência.
A socióloga aponta que as plataformas promovem uma transformação na política similar àquela observada no mercado de trabalho. Ela ressalta que a lógica do marketing digital se tornou uma força propulsora na criação de expectativas e fantasias. Além disso, as redes sociais estimulam a polarização afetiva, sendo um espaço propício para a expressão de raiva e ódio. Embora o trabalho de base e a busca de votos nas ruas ainda funcionem, a visibilidade nas redes se propaga e alcança um número maior de pessoas.







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