Um homem de 40 anos foi morto por policiais militares com 24 tiros na Vila Dionísia, zona norte de São Paulo, no dia 3 de outubro. Antonio Nunes Batista estaria em um surto psicótico, e o caso foi revelado nesta segunda-feira (12).

Um vídeo gravado por testemunhas e divulgado pela TV Globo mostra Antonio Nunes Batista em uma calçada, enquanto cinco policiais atiram. Os agentes dispararam no momento em que o homem ameaça avançar na direção deles, alegando que ele portava uma faca e uma barra de ferro, e que teria ameaçado pedestres.

As imagens também revelam que os disparos continuaram mesmo após a vítima cair no chão, e que foram feitos enquanto veículos passavam pela rua Afonso Lopes Vieira. Batista foi levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

A irmã da vítima, Isabel Batista, contesta a versão policial de que os policiais teriam tentado imobilizá-lo com um taser antes de atirar. Ela afirmou à TV Globo que seu irmão tinha esquizofrenia e costumava gesticular e falar bastante. Isabel sugeriu que os policiais poderiam ter pedido ajuda a profissionais de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região para conter Batista.

Investigação em curso

A Secretaria da Segurança Pública informou que as circunstâncias da morte de Antonio Nunes Batista estão sendo apuradas. As armas dos policiais envolvidos foram apreendidas para perícia, e as imagens das câmeras corporais foram solicitadas para análise. Exames necroscópico e toxicológico foram requisitados ao Instituto Médico Legal (IML).

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) instaurou um inquérito policial para investigar o caso, e um inquérito policial militar também foi aberto, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar. Os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das atividades nas ruas.

A revelação deste caso ocorre no mesmo dia em que Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi sepultado na zona sul de São Paulo. O jovem morreu com 27 tiros disparados por policiais militares na madrugada de sábado (10), em Moema. Segundo os policiais, eles confundiram o celular do rapaz com uma arma. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que os agentes foram afastados e que um Inquérito Policial Militar foi aberto para apurar a conduta. A pasta declarou que “não tolera desvios de conduta dos seus agentes e, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor”.