O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou o programa "SP Protege", uma proposta abrangente para a segurança pública que visa centralizar o combate à criminalidade na administração estadual. O plano articula policiamento ostensivo, inteligência, investigação, tecnologia, prevenção social e a asfixia financeira de organizações criminosas, estabelecendo a segurança pública como prioridade e adotando o princípio de "Impunidade Zero".
Haddad planeja liderar pessoalmente um Gabinete Permanente de Segurança Pública, reunindo diversas forças estaduais. O programa também prevê a divulgação trimestral dos índices de esclarecimento de crimes, permitindo que a população acompanhe os resultados. As três frentes principais do plano são: aprimorar a capacidade do Estado de investigar e solucionar crimes; proteger pessoas vulneráveis e combater delitos domésticos e digitais; e desarticular a estrutura econômica de facções e organizações criminosas. Paralelamente, haverá uma política de presença contínua do poder público em regiões de vulnerabilidade social, oferecendo educação, qualificação profissional, esporte e cultura.
Inovação Tecnológica e Policiamento
Uma das propostas é a criação do Placar da Segurança, que tornará públicos os indicadores de elucidação de roubos, furtos, homicídios e feminicídios, com informações regionalizadas e metas governamentais. O BO Inteligente permitirá o registro de ocorrências via aplicativo de mensagens e o início da investigação já durante o atendimento do 190, integrando câmeras, sistemas de leitura de placas e bancos de dados criminais. A ideia é usar a tecnologia como ferramenta de investigação, conectando câmeras públicas e privadas, leitura automática de placas e o serviço 190 a Centros Regionais de Comando e Controle. A distribuição do efetivo policial seria otimizada por mapas de calor em tempo real, e a inteligência artificial seria empregada para identificar padrões criminosos, consolidando dados em uma Base Estadual Integrada de Dados Criminais.
O Pacto pela Rua Segura busca ampliar a presença policial e integrar as Guardas Civis Municipais ao sistema estadual de segurança, estabelecendo um marco legal de cooperação, formação certificada e definição de atribuições. O plano também propõe a Delegacia Padrão Poupatempo, com atendimento rápido e profissionais treinados. As câmeras corporais dos policiais gravarão continuamente, sem necessidade de acionamento manual, visando proteger cidadãos e policiais. Há também a promessa de reestruturar as carreiras dos profissionais de segurança, com valorização salarial, promoções e uma rede permanente de atenção à saúde física e mental.
Combate ao Crime Organizado e Proteção de Grupos
Um dos eixos mais ambiciosos é a criação da Agência Estadual Antifacção, uma estrutura permanente de inteligência e investigação que reunirá forças policiais, Receita Estadual e órgãos de controle. O objetivo é identificar, desarticular organizações criminosas, bloquear patrimônios e combater a infiltração na economia formal, focando na lavagem de dinheiro e em bens ocultos. Empresas e pessoas ligadas ao crime teriam restrições em contratos com o Estado e incentivos fiscais. A ofensiva financeira se estenderia a mercados como comércio de produtos roubados, desmanches ilegais e fintechs de fachada, cruzando dados fiscais para detectar irregularidades. Um núcleo estadual de recuperação de ativos localizará e administrará bens, com imóveis confiscados podendo ser convertidos em equipamentos públicos e recursos reinvestidos na segurança.
O programa também visa reforçar a inteligência penitenciária para impedir que líderes de facções comandem crimes de dentro das prisões. Para enfrentar o roubo de celulares, a iniciativa Meu Celular de Volta, em parceria com o governo federal, prevê o rastreamento, bloqueio e devolução de aparelhos roubados, com sanções para quem adquirir dispositivos ilícitos. A proposta também busca atacar a cadeia econômica da receptação, cruzando informações fiscais para identificar estabelecimentos envolvidos na comercialização de produtos roubados.
O ProtegeSP Mulher é outra iniciativa, uma plataforma que reunirá informações sobre sinais de risco e histórico de atendimento de vítimas, com protocolos integrados entre Segurança Pública, Judiciário, Ministério Público e Saúde. As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) funcionarão 24 horas nas regiões de maior demanda, com avaliação de risco, apoio jurídico e psicológico, monitoramento de medidas protetivas e uso de tornozeleiras eletrônicas. Para as fraudes digitais, o programa Golpe Zero prevê o bloqueio imediato de recursos desviados, com atenção especial a idosos. O plano também dedica atenção específica ao Porto de Santos, propondo uma força-tarefa para combater o crime transnacional.






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