O cantor Gusttavo Lima e o Marina Park Hotel foram condenados a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais a uma fã. A mulher foi retirada de um show do artista em Fortaleza (CE) após fazer o gesto do “L”, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão da Justiça do Piauí, proferida em 30 de setembro e divulgada na terça-feira (6), responsabilizou solidariamente o hotel onde ocorreu a apresentação. A defesa da fã, Virginia Nogueira, pretende recorrer do valor da indenização, considerado baixo.

O episódio que motivou o processo ocorreu no Réveillon de 2022 para 2023. Durante a apresentação, Gusttavo Lima fez comentários políticos favoráveis ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em resposta, Virginia, na plateia, fez o “L” com uma das mãos. Em seguida, ela admite ter jogado uma garrafa de água em direção ao palco.

O cantor interrompeu o show e pediu a retirada da mulher do evento. “Pode tirar do evento. Você jogou água em mim, uma, duas, três vezes. Estou tratando você com maior carinho. Isso é sacanagem o que você está fazendo. Pode tirar ela do evento. Se você quiser seu ingresso de volta, eu te pago. Eu vim aqui para cantar, fazer alegria, e a pessoa está jogando bebida”, disse Gusttavo Lima, em momento registrado e viralizado nas redes sociais.

Exposição pública foi considerada abusiva pela Justiça

Virginia Nogueira recorreu à Justiça alegando ter sido retirada do evento de forma vexatória, o que lhe causou constrangimento, ataques nas redes sociais e abalo psicológico. Ela pedia R$ 500 mil de indenização por danos morais.

O juiz Carlos Marcello Sales Campos justificou a retirada da espectadora por questões de segurança, mas considerou abusiva a maneira como Gusttavo Lima conduziu a situação diante do público. A decisão aponta que o cantor usou “microfone e da posição de destaque inerente ao palco para individualizá-la perante o público presente e dirigir-lhe censura de cunho pessoal”.

A sentença também considerou a projeção nacional do artista e a repercussão das imagens nas redes sociais, que ampliaram o constrangimento e contribuíram para hostilizações contra Virginia. A defesa de Gusttavo Lima alegou que a retirada foi uma medida de segurança devido aos arremessos em direção ao palco, e que houve culpa exclusiva da espectadora. O Marina Park Hotel afirmou que apenas cedeu o espaço físico para o evento.

A decisão judicial não se baseou apenas no gesto do “L”, mas principalmente na forma como Virginia foi exposta e repreendida publicamente durante o incidente.