O governo federal agendou uma reunião com clubes de futebol para a próxima semana, a fim de discutir as consequências da proibição de patrocínios e publicidade de empresas de apostas esportivas, conhecidas como 'bets'. O encontro será articulado pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, e visa compreender as demandas dos times e buscar meios de atenuar os prejuízos financeiros esperados.

A medida provisória que proíbe novas contratações de publicidade e patrocínio de bets foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. Contratos já existentes podem seguir até 5 de outubro, e, a partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas serão bloqueados no país. Antes mesmo da proibição oficial, empresas do setor já haviam alertado os clubes sobre a possível rescisão de acordos.

Repercussão entre os clubes e prazos

Clubes como o Flamengo, que recebe R$ 268,5 milhões anuais de uma empresa de apostas, manifestaram descontentamento com a mudança das regras após a formalização de compromissos comerciais. O Fluminense, com um contrato de R$ 52 milhões por temporada, defendeu a necessidade de um “período de transição adequado” para se adaptar à nova realidade.

A principal preocupação dos clubes reside no prazo para encerrar os contratos e remover as marcas dos patrocinadores de suas vestimentas e estádios. O ministro Perna Cordeiro, ao comentar sobre a dependência dos clubes desses patrocínios, ressaltou que “o futebol sempre viveu sem as bets”, indicando que a modalidade já existia antes da popularização dessas parcerias.

Medidas adicionais e penalidades

Além da proibição por medida provisória, o governo enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional para criar crimes específicos relacionados à exploração ou operação de apostas de quota fixa. Entre as propostas de punição, está a reclusão de quatro a seis anos, além de multa, para quem violar as futuras regulamentações. Contudo, essa parte da legislação ainda necessita de aprovação parlamentar para entrar em vigor.