247 – O Ministério da Fazenda passou a estimar crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026, abaixo dos 2,3% previstos anteriormente. A revisão de 0,3 ponto percentual foi divulgada nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), na nova edição do Boletim Macrofiscal.
Foram apresentados os dados apresentados pela Fazenda. O Boletim Macrofiscal é publicado a cada dois meses e reúne projeções de curto e médio prazo utilizadas pelo governo federal no acompanhamento da economia e no processo orçamentário.
Segundo a pasta, a redução da estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) reflete principalmente uma perspectiva mais fraca para os setores de serviços e indústria. Parte dessa perda de ritmo deve ser compensada pelo desempenho da agropecuária.
“Nos serviços, a revisão decorre do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica”, afirmou o Ministério da Fazenda no documento.
Juros elevados pesam sobre atividade econômica
A avaliação da equipe econômica ocorre em um cenário de desaceleração da atividade sob efeito da política monetária restritiva. Nesta terça-feira, o Banco Central também apontou enfraquecimento da economia e os impactos dos juros elevados sobre o consumo e o crédito. A taxa Selic está atualmente em 13,75% ao ano.
O efeito dos juros sobre a demanda doméstica aparece entre os fatores considerados pela Fazenda para recalibrar as projeções de crescimento.
Além da revisão para 2026, o governo reduziu de 2,5% para 2,3% a expectativa de expansão do PIB em 2027.
Projeção para inflação cai para 4,9%
Ao mesmo tempo em que diminuiu a previsão de crescimento, a Fazenda revisou para baixo sua estimativa para a inflação em 2026. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,1% para 4,9%.
A mudança foi atribuída principalmente ao comportamento dos preços em julho, quando a inflação ficou abaixo do esperado, especialmente nos grupos de alimentação no domicílio e serviços.
A política monetária contracionista conduzida pelo Banco Central e a perspectiva de menor ritmo da atividade econômica no segundo semestre também contribuíram para a nova estimativa.
Para 2027, contudo, o movimento previsto é diferente. A Fazenda elevou a projeção de inflação de 3,6% para 3,8%.
El Niño entra nas projeções para 2027
Segundo a equipe econômica, a revisão da inflação esperada para 2027 considera possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a produção agrícola.
Alterações nas condições climáticas podem afetar as safras e, consequentemente, os preços dos alimentos, razão pela qual o risco foi incorporado ao cenário traçado pela Secretaria de Política Econômica.
O Boletim Macrofiscal reúne estimativas oficiais para indicadores de atividade e inflação e serve de referência para análises macroeconômicas e fiscais do governo federal. A edição de setembro foi apresentada pela secretária de Política Econômica, Débora Freire, e por integrantes da equipe da Fazenda.






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