O candidato a deputado federal pelo PSOL-RJ Flávio Serafini pediu a investigação de uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 destinada por Flávio Bolsonaro ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), no Rio de Janeiro, em 2023.

Em entrevista ao Bom Dia 247, Serafini disse ter levado o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a preservação imediata de documentos ligados ao projeto “Jogadores do Futuro”, voltado a crianças da região da Taquara.

Mensagens, TCU e apuração no STF

Segundo o texto, reportagens recentes citaram mensagens obtidas em investigações da Polícia Federal nas quais Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, pedia recursos ao gabinete do senador. Ele foi condenado pelo STF por participação na organização criminosa ligada aos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Serafini afirmou que a análise precisa ir além da existência formal da emenda e verificar como o projeto foi executado, se o dinheiro público chegou às atividades previstas e se os cursos realmente ocorreram. O Tribunal de Contas da União apontou indícios de irregularidades, entre eles a contratação de uma sociedade de advocacia para coordenar ações esportivas.

Questionamentos sobre a execução da verba

Na petição enviada ao ministro Flávio Dino, no âmbito da ADPF 854, Serafini pediu que o material relacionado à execução da verba seja preservado antes do avanço das investigações. Ele quer documentos sobre inscritos, certificados, local das atividades, fotos, professores e pagamentos feitos no projeto.

O candidato do PSOL também defendeu que outras emendas do gabinete de Flávio Bolsonaro para entidades do terceiro setor sejam examinadas. Segundo ele, o caso ganha peso por conta da candidatura do senador à Presidência da República.

Flávio Bolsonaro, por meio da assessoria, afirmou que a destinação seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse ainda que a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária e que o instituto apresentou notas fiscais e devolveu valores não utilizados.

Serafini, no entanto, sustenta que o destino dos recursos precisa ser esclarecido e que a proximidade da eleição aumenta a necessidade de apuração. Para ele, o objetivo é entender todo o caminho percorrido pelo dinheiro público.