Emails obtidos pela Polícia Federal (PF) sugerem que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz compartilhavam o acesso a uma conta empresarial no banco Santander. Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema de desvios do INSS.
As mensagens foram encontradas nos documentos do iCloud de Tomaz durante a operação Sem Desconto, que investiga fraudes em aposentadorias. Segundo a PF, os documentos indicam a necessidade de aprofundar as apurações sobre as movimentações financeiras do advogado, suas empresas e possíveis relações com agentes públicos. A operação investiga prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a aposentados por descontos associativos indevidos.
Em 22 de maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou ao Santander a exclusão de uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do usuário master vinculado ao advogado. A conta estava ligada à Alcazar Holdings, empresa de Tomaz sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Voos e relação entre os dois
A investigação também revelou que empresas ligadas a Tomaz pagaram voos internacionais para Flávio e sua família em 2024 e 2025. A Alcazar Holdings custeou trechos em um jato executivo. Em janeiro de 2025, Flávio, sua esposa, as duas filhas e o advogado viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília.
Outra empresa, a Cathedral Holdings, pagou viagens pela NetJets, incluindo deslocamentos entre Lisboa, Nice e Paris com as famílias. Tomaz afirmou que os passageiros eram seus convidados e que usou horas de sua cota para pagar um dos trajetos.
Flávio Bolsonaro negou em nota ter tido conta com usuário master de Tomaz ou suas empresas, classificando as acusações como falsas e com motivação eleitoral. Tomaz declarou que a conta citada nunca lhe pertenceu e que não criou usuário em nome do senador. Ele afirma que ambos mantêm uma amizade, sem vínculos comerciais ou financeiros, e que tomará medidas judiciais contra a divulgação das acusações.
A PF também investiga possíveis relações de Tomaz com outros envolvidos no esquema previdenciário. O advogado já havia sido preso em 2017 em uma investigação sobre propina ligada à JBS, mas a denúncia foi rejeitada por falta de provas.







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