O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou falar por mensagens e ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nos quatro dias anteriores à prisão do empresário em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Os registros foram extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido na ocasião.
Tentativas de contato
Segundo as mensagens, as tentativas ocorreram entre 13 e 16 de novembro. No dia 13, Flávio escreveu a Vorcaro pela manhã perguntando se poderia atendê-lo. O banqueiro respondeu que retornaria em meia hora, mas não há registro de ligação posterior. No dia seguinte, o senador fez uma chamada de voz que não foi atendida.
Em 15 de novembro, Vorcaro justificou a ausência dizendo que estava em trânsito. No dia 16, após outra chamada perdida, o banqueiro afirmou que estava na igreja e que ligaria depois. Flávio então respondeu dizendo que estava e estaria sempre com ele e pediu que Vorcaro desse uma “luz” a ele.
Investigação e contexto
Vorcaro foi preso no fim da tarde do dia 17, quando tentava embarcar para o exterior. O mandado havia sido expedido pela 10ª Vara Federal de Brasília e a operação foi antecipada sob suspeita de tentativa de fuga.
As investigações apontam que o contato entre Flávio e Vorcaro começou em dezembro de 2024, mas o histórico mais antigo de mensagens estava apagado. No período acessível, o senador cobrava o repasse de valores para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em um áudio enviado em setembro de 2025, Flávio demonstrou preocupação com compromissos financeiros do projeto e pediu uma posição a Vorcaro. O banqueiro se desculpou e disse que resolveria os pagamentos no dia seguinte. Depois, os dois conversaram por uma chamada de WhatsApp, cujo conteúdo não pôde ser recuperado.
Antes disso, em 3 de setembro de 2025, o Banco Central havia reprovado a operação entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília. Em novembro, a investigação sobre a gestão do Master já era pública. Anotações no celular de Vorcaro indicam que ele teve conhecimento antecipado de que poderia ser alvo de medida policial e discutiu um plano para deixar o país. Parte das mensagens foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes se já deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte.






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